O Distrito Federal está em estado de alerta diante das previsões meteorológicas para o segundo semestre de 2026. Com mais de 90% de probabilidade de consolidação do fenômeno El Niño, que altera o regime de chuvas e eleva as temperaturas no Centro-Oeste, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) estruturou um plano de contingência para enfrentar o que pode ser um dos períodos de estiagem mais severos dos últimos anos.
Em entrevista ao programa Vozes da Comunidade,neste sábado 30/05 , o Tenente-Coronel Marcelino Costa, do Grupamento de Proteção Ambiental do CBMDF, explicou que a corporação trabalha com base no planejamento para o pior cenário climático. O objetivo é evitar o avanço de incêndios de grandes proporções no bioma Cerrado.
“O El Niño é um fenômeno que gera efeitos adversos em todo o planeta. No Brasil, ele provoca estiagem nas regiões Norte e Centro-Oeste. A nossa preocupação de fato é esse cenário de mais queimadas aqui na região central. As modelagens apresentam mais de 90% de chance de acontecer o fenômeno. A grande questão agora é qual vai ser a intensidade dele. Nós nos preparamos para o pior cenário”, afirmou o ele.
Para conter o avanço do fogo no período mais crítico da seca, que se estende de julho a dezembro, o CBMDF lançaou a Operação Verde Vivo 2026. O plano prevê a ativação de 12 postos de combate exclusivos para incêndios florestais, que vão atuar de forma complementar aos 25 agrupamentos multiemprego já existentes no DF.
Inicialmente, 200 militares atuarão dedicados exclusivamente a essa finalidade, apoiados por uma rede de 400 especialistas em salvamento ambiental. Em caso de grandes incêndios que ameacem proporções extremas, a corporação tem capacidade de mobilizar uma força de choque expressiva.
“Temos a capacidade de mobilizar todo o nosso efetivo administrativo. Podemos colocar, em um evento crítico, um incêndio maior, até 1.500 bombeiros para atuar somente na ocorrência. A gente espera não chegar a esse ponto, mas a nossa capacidade de mobilização já está estabelecida”, garantiu o Tenente-Coronel Marcelino.
Monitoramento em tempo real e uso de tecnologia
O combate às chamas em 2026 terá o suporte tecnológico do Centro de Gerenciamento Ambiental, unidade que opera com recepção de imagens de satélites geoestacionários e monitoramento térmico. O sistema conta com a parceria da Universidade de Brasília (UnB) por meio do projeto DF Sem Fogo, utilizando câmeras de alta definição integradas com inteligência artificial para detecção precoce de fumaça.
A tecnologia militar também ganhou reforço com o uso de sensores espaciais e imageamento aéreo:
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Satélites da Nasa: Monitoram pontos quentes na superfície do DF com atualizações a cada 15 minutos.
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Drones com câmeras térmicas: Utilizados para mapear linhas de fogo, identificar rotas de acesso seguro para as equipes e realizar o trabalho de rescaldo — que consiste em localizar focos subterrâneos de calor para evitar que o incêndio seja retomado após ser extinto.
De acordo com o mapeamento estatístico do CBMDF, o foco das ações preventivas está concentrado nas regiões administrativas que possuem extensas áreas rurais e de preservação ambiental. Embora o DF tenha registrado um início de ano com chuvas recentes e temperaturas amenas devido ao fim do fenômeno La Niña, o cenário de transição exige atenção imediata.
As cidades apontadas como prioritárias para o monitoramento são:
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Planaltina
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São Sebastião
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Sobradinho
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Paranoá
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Brazlândia
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Santa Maria e Gama (regiões limítrofes)
Manejo do fogo e proibição
Uma das ferramentas utilizadas pelos órgãos ambientais antes do período de estiagem severa é o Manejo Integrado do Fogo (MIF). A técnica consiste em realizar queimas controladas em períodos em que a vegetação ainda acumula alguma umidade, criando “barreiras naturais” sem causar danos severos ao solo. Segundo os bombeiros, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) encerra nesta próxima semana o ciclo dessas atividades autorizadas.
A partir deste ponto, com o avanço da seca, o Governo do Distrito Federal (GDF) deve publicar o decreto de proibição geral do uso do fogo. A corporação faz um apelo para que a população colabore e evite práticas cotidianas que possam fugir do controle.
“Daqui para frente, inclusive, o GDF geralmente decreta uma proibição geral de uso do fogo. Passamos a desencorajar o uso para qualquer atividade. É uma mensagem muito importante: não usem mais fogo para fazer limpeza de entulho ou restos de poda. Você usa o fogo como costumeiramente fez, perde o controle e aí vira um incêndio, perde o patrimônio e coloca vidas em risco”, alertou o Tenente-Coronel.
O policiamento e a fiscalização contra incêndios criminosos serão intensificados pela Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) ao longo de todo o período de estiagem.
O programa Vozes da Comunidade é apresentado pelo jornalista Toni Duarte, com transmissão ao vivo pelo YouTube e retransmissão por rádios comunitárias do DF e Entorno, conta com o apoio da Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP).
Assista o programa na íntegra:





































