Durante participação no programa Vozes da Comunidade nesta sexta-feira, coronel Flávio Palhares revelou que o sistema de saúde da corporação atende mais de 70 mil vidas entre ativos, veteranos, pensionistas e dependentes, e defendeu que investir na saúde mental do policial é, na prática, investir na qualidade do serviço prestado à população
Um dos números que mais chamou atenção na participação do comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Flávio Palhares, no programa Vozes da Comunidade desta sexta-feira (14), veio de uma pergunta sobre o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da corporação. Ao ser questionado sobre como a instituição avalia a importância da saúde mental para a eficiência operacional da tropa, o comandante revelou a dimensão do atendimento psicológico oferecido hoje à família policial-militar do Distrito Federal.
Cel.Palhares começou situando o CAPS dentro de um sistema de saúde muito mais amplo, que atende não apenas o policial da ativa, mas toda a rede de dependentes ligada à corporação:
“Quando pensamos em saúde mental do policial militar, nós pensamos no sistema de saúde da Polícia Militar, que atende mais de 70 mil vidas. Me refiro aos policiais militares da ativa, os veteranos, os pensionistas, os dependentes. Então a nossa família policial-militar está com 73 mil usuários independentes do sistema de saúde.”
Ele lembrou que o CAPS — cuja implantação segue conduzida pela coronel Ana Paula Habka, segundo citou na entrevista — nasceu justamente da necessidade de a corporação qualificar o atendimento voltado à saúde mental do efetivo, e apresentou o número que dá título a esta reportagem:
“O nosso CAPS já realizou, este ano, mais de 100 mil atendimentos à família policial-militar em geral.”
Para o comandante, esse investimento está diretamente conectado a um dos três eixos do seu plano de comando — a valorização profissional —, que segundo ele passa por plano de carreira, questão salarial e auxílios, mas também pela assistência à saúde física e mental do policial e de sua família:
“A preocupação nossa é atender bem o policial, que ele tenha uma boa saúde física e também uma boa saúde mental, com todo o sistema de saúde e de assistência que nós temos. O policial militar saudável, com a família bem assistida, consegue trabalhar regularmente. Ao contrário: se você não tem um sistema de proteção de saúde adequado, e o policial está com a esposa doente, o marido doente, um filho doente, ele não consegue trabalhar.”
O coronel foi além ao descrever as condições específicas da atividade policial-militar como fator de desgaste psicológico contínuo, num raciocínio que buscou justificar por que a saúde mental da tropa merece atenção diferenciada:
“Nós somos a face ostensiva do Estado. Estamos nas ruas diuturnamente, 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano, permanentemente expostos, e somos cobrados diariamente justamente por sermos a face visível e exposta do Estado.”
Ele também chamou atenção para a natureza das decisões tomadas pelo policial em serviço, que segundo ele ocorrem em tempo real e sem o distanciamento processual de outras instâncias do sistema de Justiça:
“A Polícia Militar se depara com o problema da comunidade em tempo real — não é o tempo do processo, não é o tempo de uma persecução penal, onde você tem condições de ler documentos, entender um lado, ouvir o outro. É a vida como ela é. O policial é obrigado a tomar decisões em frações de segundo, decisões que, por vezes, podem resultar até na perda da vida de uma outra pessoa.”
Ao concluir a resposta, Palhares resumiu a lógica que, segundo ele, orienta o investimento em saúde da corporação como uma questão que extrapola o interesse interno da PM:
“Investir no policial militar, em última análise, é investir na sociedade. Quanto melhor esse policial militar estiver para cumprir a sua missão, melhor vai ser o serviço que ele vai entregar para a comunidade.”






































