O Distrito Federal registrou a segunda internação involuntária de uma pessoa em situação de rua desde que o novo protocolo começou a ser utilizado. O paciente é um homem de 72 anos, usuário crônico de álcool, encontrado debilitado e em condições consideradas graves de negligência com os próprios cuidados.
A abordagem ocorreu no fim da tarde de segunda-feira (24), depois que moradores alertaram as equipes sobre a situação do idoso. A equipe do Consultório na Rua, vinculada à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), foi acionada e realizou o atendimento.
Segundo a subsecretária de Saúde Mental da pasta, Fernanda Falcomer, não havia episódio de violência ou surto no momento da abordagem. O homem estava debaixo de uma árvore, sem demonstrar agitação nem representar perigo para quem estava próximo. A preocupação estava relacionada ao estado de debilidade e ao histórico prolongado de consumo de álcool.
A condição apresentada pelo paciente levou a equipe a encaminhá-lo para a rede de saúde. Embora não demonstrasse vontade de sair do local, ele estava fragilizado a ponto de não oferecer resistência durante a abordagem, conforme relatado pela subsecretária.
O primeiro atendimento ocorreu em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Depois, diante da necessidade de cuidados clínicos, o idoso foi transferido para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Fernanda informou que houve piora no quadro durante o atendimento. Por se tratar de um usuário crônico de álcool, o processo de desintoxicação pode provocar complicações e exige acompanhamento da equipe de saúde.
A confirmação do caso ocorre pouco depois da primeira aplicação do protocolo que resultou em internação. No domingo (23), um homem de 31 anos foi socorrido depois de entrar nos trilhos do Metrô.
A ocorrência levou a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) a acionar a Secretaria de Saúde. A avaliação dos profissionais apontou que o paciente havia se colocado em uma situação de risco extremo e necessitava de acompanhamento intensivo.
De acordo com Fernanda, há suspeita de esquizofrenia, com agravamento associado ao consumo de drogas. A permanência nos trilhos expôs o homem ao risco de choque elétrico, fator considerado durante a avaliação que resultou na internação.
O paciente continua na rede de saúde. Depois da recuperação, a previsão é de continuidade do tratamento e de encaminhamento para serviços de assistência social.
Os dois episódios ocorreram em circunstâncias diferentes. Enquanto o primeiro envolveu uma situação imediata de perigo, o segundo teve como principais fatores o estado de negligência extrema e o comprometimento dos cuidados básicos do idoso.
A análise individual de cada caso é uma das etapas previstas no protocolo. Um pedido feito anteriormente pela Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), por exemplo, não resultou em internação.
A solicitação envolvia Celso Pinheiro, de 41 anos, após ele chutar uma criança. Ele foi atendido pelo Samu e avaliado em três unidades de saúde, mas os profissionais não identificaram condições clínicas que justificassem a internação involuntária.
Conforme explicou a subsecretária, Celso estava consciente e orientado e não apresentava sinais de surto. Também não havia problema de saúde física que determinasse a necessidade de mantê-lo internado.
A internação humanizada involuntária está prevista na legislação sancionada pelo Governo do Distrito Federal em 20 de julho. O mecanismo é destinado a situações excepcionais e depende de avaliação médica.
O protocolo prevê uma abordagem inicial nas ruas e a avaliação de fatores como risco à vida, violência e negligência extrema em relação às necessidades básicas. Quando necessário, o paciente pode ser encaminhado para uma UPA ou um hospital.
Se houver indicação de internação, a equipe médica estabelece um Plano Terapêutico, com duração de até 90 dias. Após a alta, o acompanhamento deve continuar pelo Caps de referência e pela rede de assistência social do Distrito Federal.









































