A aposta do Distrito Federal em inovação ganhou um novo palco, e ele está nas ruas. Ao lançar uma rota turística operada por um ônibus movido a hidrogênio verde, o governo Ibaneis Rocha transforma o turismo da capital em uma vitrine de tecnologia limpa e reposiciona Brasília no mapa das cidades que testam soluções para o futuro da mobilidade.
A chamada Rota Monumental nasce com dupla função: oferecer uma nova experiência para moradores e visitantes e, ao mesmo tempo, colocar em operação uma tecnologia ainda rara no Brasil. O projeto foi apresentado nesta quarta-feira (25), no Palácio do Buriti, e reúne GDF, Neoenergia e a empresa TVEX.
Nos bastidores, a iniciativa é tratada como mais do que um projeto isolado. A leitura, dentro do governo, é de que o uso do turismo como porta de entrada para novas tecnologias amplia a visibilidade e acelera a aceitação de soluções sustentáveis pela população.
Ao comentar o lançamento, o governador Ibaneis Rocha destacou que a capital começa a dar escala prática a uma agenda que vinha sendo estruturada nos últimos anos. “O DF já avançou na produção de hidrogênio verde e agora passa a aplicar essa tecnologia em um serviço real, acessível à população. É uma forma de mostrar que inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas no cotidiano da cidade”, afirmou.
O veículo que integra a rota é abastecido com hidrogênio produzido em Taguatinga, em uma planta considerada pioneira no país para uso em mobilidade urbana. A tecnologia utiliza água e energia renovável para gerar o combustível, garantindo operação sem emissão de poluentes.
A escolha por estrear o modelo dentro de um circuito turístico não é casual. Ao circular por pontos emblemáticos da capital, o ônibus amplia a exposição da tecnologia e reforça o caráter simbólico do projeto.
O percurso inclui locais como o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto, a Esplanada dos Ministérios, a Catedral Metropolitana e o Memorial JK, conectando inovação a alguns dos cenários mais reconhecidos do país.
Para o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, a experiência em Brasília funciona como um laboratório em escala real. “A ideia é demonstrar que essa tecnologia já pode ser aplicada de forma concreta. O DF oferece visibilidade e estrutura para testar o modelo e avaliar seu potencial de expansão para outras cidades”, disse.
A operação começa neste sábado (28), com saídas da Torre de TV e duração média de 1h30. A expectativa é que a novidade atraia tanto turistas quanto moradores interessados em conhecer de perto uma tecnologia ainda pouco difundida no país.
Na avaliação da área de mobilidade, o projeto abre espaço para novos caminhos no transporte urbano. “Estamos diante de uma solução que alia eficiência e baixo impacto ambiental. Esse tipo de iniciativa ajuda a preparar o sistema para um futuro mais sustentável”, afirmou o secretário-executivo Alex Carreiro.
Já no turismo, a estratégia é clara: diferenciar Brasília em um cenário cada vez mais competitivo. “A cidade passa a oferecer uma experiência que vai além do roteiro tradicional. É um passeio que incorpora inovação e reforça o posicionamento da capital como destino moderno”, avaliou o secretário Bernardo Antunes.
Com investimento de cerca de R$ 30 milhões na planta de produção de hidrogênio, o projeto transforma o Distrito Federal em um dos primeiros territórios do país a testar, na prática, uma alternativa energética de baixo carbono aplicada ao transporte.
Ao colocar o ônibus em circulação, Brasília não apenas apresenta uma novidade ao público, ensaia, em escala urbana, o modelo de mobilidade que tende a ganhar espaço nas próximas décadas.





































