Governadora assinou a certidão de nascimento da 26 de Setembro e da Ponte Alta e autorizou a compra de 15 trens que vão dobrar a capacidade do metrô da capital; cerimônia reuniu deputados, secretários e moradores emocionados
O Distrito Federal viveu, nesta sexta-feira (3), uma tarde de anúncios que muda a rotina de milhares de brasilienses. Em uma única solenidade, a governadora Celina Leão (PP) sancionou as leis que criam as regiões administrativas da 26 de Setembro e da Ponte Alta e assinou a ordem de serviço que autoriza o lançamento do edital de licitação para a compra de 15 novos trens do Metrô-DF, em um investimento estimado em R$ 1 bilhão.
Duas RAs, uma reivindicação antiga
Com a sanção, a 26 de Setembro e a Ponte Alta deixam de ser apenas núcleos urbanos consolidados e passam a integrar oficialmente a lista de regiões administrativas do DF, com estrutura própria de gestão. Os projetos de lei, de autoria do Executivo, haviam sido aprovados pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) ainda nesta semana.
Para a governadora, o gesto tem peso simbólico e prático. Ela lembrou que as duas localidades já existiam de fato havia anos, mas seguiam sem autonomia administrativa, o que, segundo ela, atrasava a chegada de investimentos e a própria regularização fundiária das áreas.
Moradores presentes à cerimônia destacaram o significado da mudança. A expectativa agora é que a nova estrutura administrativa destrave serviços básicos que ainda faltam nas duas cidades, como unidades de saúde, segurança e saneamento, além de acelerar obras que já estão em andamento, como o asfalto e da iluminação pública na 26 de Setembro.
Metrô vai dobrar a capacidade em cinco anos
Se a criação das RAs marcou o lado da política urbana, o outro ato assinado por Celina Leão mira diretamente a mobilidade da capital. A governadora autorizou a abertura da licitação para a compra de 15 novos trens, com quatro carros cada, que deverão colocar o Metrô-DF em outro patamar tecnológico.
O presidente da companhia, Handerson Ribeiro, detalhou que os novos trens vão contar com ar-condicionado, sistemas de monitoramento e controle operacional de última geração — recursos que a frota atual não possui. A previsão é publicar o edital nos próximos dias, receber propostas em até 70 dias e assinar contrato ainda no segundo semestre deste ano. A fabricação, no entanto, só deve começar em 2027, com entrega das primeiras composições em até dois anos.
O impacto prometido é expressivo. Somando a chegada dos novos trens às obras de expansão que já avançam em Samambaia e à contratação, em fase final, da ampliação para Ceilândia — que juntas vão somar quatro novas estações —, a companhia projeta que o número de passageiros transportados diariamente pode saltar da faixa atual, entre 160 mil e 180 mil, para até 450 mil usuários por dia nos próximos cinco anos.
A cerimônia reuniu boa parte da bancada distrital que atua nas regiões beneficiadas, caso dos deputados Daniel de Castro (PP), Eduardo Pedrosa (UB), do presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), o deputado Rogério Morro da Cruz (PSD), além do secretário de Governo, Takane do Nascimento. Em tom emocionado, os parlamentares fizeram questão de relembrar a trajetória de quem cobrou por anos a regularização da 26 de Setembro e da Ponte Alta, e destacaram que a mobilização conjunta dos poderes executivo e legislativo foi determinante para aprovar as duas leis em tempo recorde.
Coube ao secretário de Governo , Takane Nascimento cunhar a frase que resumiu o clima da tarde, evocando a rotina da governadora nas visitas às regiões do DF: governo de botina no pé e caneta na mão. A expressão, repetida por diferentes autoridades ao longo dos discursos, virou uma espécie de slogan não oficial para descrever a gestão que, segundo os presentes, saiu do discurso para a assinatura.




































