Brasília não nasceu como as outras cidades.
Brasília foi sonhada.
Na vastidão do cerrado, quando tudo ainda era poeira e esperança, ergueu-se uma cidade feita de linhas retas e curvas poéticas, de concreto e utopia, de palácios e candangos. Se dizem que o Brasil tem um coração geográfico, Brasília é mais do que isso — é o coração simbólico, onde pulsa a política, a cultura, a fé e o reencontro de tantos que vieram de longe para chamá-la de lar.
Hoje, 21 de abril de 2025, ela completa 65 anos. Mas Brasília parece ter idades múltiplas: é antiga como os ipês que florescem amarelos no inverno e jovem como os skatistas da Funarte que dançam com o vento.
“Vi Brasília, vi o mundo / Vi você e vi o sol”, canta Alceu Valença.
Brasília se vê de cima, de dentro, de longe.
É cidade que encanta não apenas por sua arquitetura audaciosa, mas pelo céu — ah, o céu de Brasília — que até parece pintura. O próprio Renato Russo, em tempos de Legião Urbana, dizia que era ali, no meio do nada, que existia tudo.
Brasília foi feita para ser vista com o pescoço erguido. E também para ser ouvida.
Tem a melodia suave de Natiruts, que embalou gerações com “Liberdade pra dentro da cabeça”, surgida ali no meio do Plano Piloto, entre uma asa e outra. Tem os versos de Djavan em Linha do Equador, que nos fazem lembrar que Brasília é, sim, um lugar onde o tempo pode parar só para admirar um fim de tarde laranja.
É uma cidade de todos.
Brasília acolheu gente de todos os cantos: do sertão ao sul, do litoral às montanhas. Aqui, a quitanda da baiana divide quadra com o café do mineiro. Aqui, o maranhense cria raiz, o gaúcho aprende a gostar de pequi, e o goiano encontra ali do lado um primo.
E não há quem more em Brasília e não tenha uma história de vinda. Uma tia que chegou para ser datilógrafa. Um pai que passou em um concurso. Um amigo que veio só por uns meses e nunca mais voltou pra casa.
Nesses 65 anos, Brasília se transformou.
E o que não muda, permanece belo: a Esplanada dos Ministérios, os ipês que se derramam como chuva dourada, o som de um violão ecoando no Pontão. Brasília é silêncio e manifesto. É ordem e movimento.
Brasília faz 65.
E a sensação é que ela continua sendo uma adolescente cheia de ideias.
Ou uma senhora altiva, moderna, cheia de histórias.
Ou quem sabe uma música.
Daquelas que a gente ouve com o peito aberto, olhando pro céu.
Parabéns, Brasília. Continue sendo esse coração que acolhe, que inspira e que canta.






































