Encontrar uma vaga de emprego ainda está entre os maiores desafios para pessoas com deficiência no Distrito Federal. Enquanto cerca de 5 mil candidatos aguardam uma oportunidade no banco de empregabilidade da Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPD-DF), uma parceria entre o órgão e empresas privadas já possibilitou a contratação de aproximadamente 270 trabalhadores nos últimos dois anos e sete meses.
No mesmo período, mais de 2 mil currículos foram encaminhados para processos seletivos. O trabalho é desenvolvido em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), que atua ao lado da secretaria para estimular o cumprimento da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/1991) e ampliar a presença de pessoas com deficiência no mercado formal.
A expectativa agora é avançar também na preparação das empresas. No próximo dia 10 de julho, a SEPD promove a Capacitação Empresarial para Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho, iniciativa realizada em parceria com o Coletivo de Advogados com Deficiência do Distrito Federal.
O encontro será realizado a partir das 9h, no Instituto BRB, na Asa Norte, reunindo empresários e profissionais de recursos humanos. A programação inclui palestras de representantes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sobre acessibilidade, acolhimento e adaptações necessárias para que trabalhadores com deficiência encontrem condições adequadas dentro das empresas.
Segundo a diretora de Inclusão Profissional da secretaria, Andressa Matias Magalhães, muitas organizações ainda têm dúvidas sobre como contratar e receber esse público. “Queremos mostrar às empresas que a inclusão começa antes da contratação. É preciso compreender quais adaptações são necessárias, como acolher esses profissionais e oferecer um ambiente em que eles possam trabalhar com conforto e autonomia”, explica.
Enquanto as empresas buscam orientação, milhares de pessoas esperam pela oportunidade de voltar ao mercado. Foi exatamente esse caminho que levou a operadora de teleatendimento Marilúcia Rodrigues de Queiroz, de 54 anos, a conquistar uma vaga na BRB Serviços.
Com uma deformidade na coluna, ela passou meses procurando emprego e investindo em cursos para aumentar as chances de contratação. Depois de se cadastrar na secretaria, foi encaminhada para um processo seletivo e, há cerca de um mês, voltou à rotina de trabalho. “A mudança foi enorme. Melhorou minha vida financeira, mas também minha autoestima. Quando você está trabalhando, conhece pessoas, aprende coisas novas e deixa de ficar isolada. É uma oportunidade que muda a vida da gente”, afirma.
A diretora da SEPD explica que a seleção começa assim que empresas parceiras informam a abertura de vagas. A equipe da secretaria analisa os perfis cadastrados, identifica candidatos compatíveis e realiza os encaminhamentos. “Muitas pessoas chegam aqui sem saber como acessar o mercado de trabalho. Nós fazemos essa ponte, orientamos o cadastro e aproximamos esses profissionais das empresas. Quando a contratação acontece, a transformação alcança toda a família”, destaca Andressa.
A vigilante Ivana de Bellis, de 58 anos, espera ser uma das próximas beneficiadas. Usuária de órteses nas pernas, ela afirma que a dificuldade para conseguir emprego muitas vezes não está na capacidade profissional, mas na falta de oportunidades. “Nós queremos trabalhar e temos condições de exercer nossas funções, mas nem sempre somos vistos pelas empresas. Ter um serviço que faz essa aproximação facilita muito. Além disso, fui muito bem atendida, e todo o processo aconteceu rapidamente”, relata.
Para participar dos processos seletivos intermediados pela secretaria, é necessário realizar inscrição no Cadastro da Pessoa com Deficiência (CadPCD). Após a aprovação, o candidato deve preencher o formulário disponível na página da SEPD para integrar o banco de empregabilidade.
O CadPCD também permite a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) e do Cartão de Identificação da Pessoa com Deficiência, documentos que comprovam a condição especial durante processos seletivos destinados ao público PcD. Segundo a secretaria, todas as informações fornecidas permanecem sob sigilo e são utilizadas exclusivamente para seleção e encaminhamento às vagas compatíveis.





































