O sistema de tratamento de esgoto do Distrito Federal entra em uma nova fase com a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Melchior, em Samambaia. A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) investe mais de R$ 37 milhões em uma nova etapa do processo, que deve elevar a qualidade da água devolvida ao Rio Melchior e aumentar a capacidade de atendimento da unidade.
A intervenção aposta em um sistema complementar de tratamento, voltado principalmente à retirada de nutrientes que ainda permanecem após as fases convencionais. Na prática, a nova estrutura atua como um “refino” do processo, garantindo maior controle sobre o resultado final e reduzindo riscos ambientais.
Hoje, a estação já atende cerca de 1 milhão de moradores de regiões como Samambaia, Ceilândia e Taguatinga. Com a ampliação, a vazão pode passar de 1,5 mil para até 2,5 mil litros por segundo, acompanhando o crescimento populacional previsto para os próximos anos.
O presidente da Caesb, Luís Antônio Almeida Reis, afirma que a obra marca um avanço na forma como o DF lida com o saneamento. Segundo ele, o foco não está apenas na expansão do sistema, mas na qualidade do que é devolvido à natureza.
“Nosso objetivo é garantir que a água retorne ao meio ambiente com o melhor padrão possível. Esse investimento reforça justamente esse compromisso com a sustentabilidade”, disse.
A nova etapa inclui o uso de tratamento químico para intensificar a remoção de substâncias como o fósforo, que pode comprometer a qualidade dos cursos d’água. A expectativa é elevar o índice de retirada desse nutriente para acima de 95%.
De acordo com a superintendente de Operação e Tratamento de Esgoto da companhia, Ana Maria do Carmo Mota, a tecnologia também traz mais estabilidade ao sistema.
“É uma etapa que complementa o tratamento já existente e reduz variações no processo. Isso garante um padrão mais uniforme e seguro na qualidade final do efluente”, explicou.
Mesmo sem uso para abastecimento, o Córrego Melchior tem papel importante no equilíbrio ambiental da região. Por isso, a Caesb mantém monitoramento contínuo da água antes e depois do lançamento do esgoto tratado.
A obra começou em 2024 e faz parte de um pacote maior de investimentos no saneamento do DF. A previsão é que, nos próximos anos, os aportes no setor cheguem a cerca de R$ 240 milhões, com foco na modernização da rede e na ampliação da capacidade de atendimento.




































