A rotina de uma unidade hospitalar foi interrompida por um gesto simples, mas carregado de significado. Em meio ao tratamento oncológico, profissionais de saúde e familiares se uniram para garantir que João Athos Almeida não deixasse passar em branco a chegada aos 18 anos — mesmo longe de casa.
A comemoração aconteceu dentro da Unidade de Internação Oncológica do Hospital Regional de Taguatinga, onde a mãe do jovem, Lana Marnie de Lima, de 41 anos, está internada para tratamento paliativo de câncer de estômago. Sem condições clínicas para sair do hospital, ela pôde participar do aniversário graças à mobilização da equipe da unidade.
A proximidade da data foi percebida durante o acompanhamento psicossocial da paciente, quando ficou evidente o quanto o aniversário do filho mais velho era importante para ela. A partir disso, profissionais de diferentes áreas organizaram a celebração, respeitando os cuidados assistenciais e a segurança da paciente.
Para João, a surpresa mudou completamente o significado da data. “Foi um aniversário diferente de tudo o que eu já vivi. Estar com minha mãe e com minha família ali tornou tudo ainda mais especial”, contou.
Com bolo, lanches e uma decoração discreta, o encontro reuniu familiares próximos e trouxe leveza a um espaço geralmente marcado pela tensão do tratamento. Segundo a chefia da unidade, ações como essa fazem parte de uma abordagem que valoriza o cuidado integral. “Nos momentos mais delicados, olhar para o aspecto humano é fundamental. O cuidado vai além do procedimento técnico”, explicou Stephanie Lisboa.
Lana descreveu a experiência como um momento de conforto em meio à internação. “Foi um dia que trouxe alegria e me fez sentir perto de quem eu amo”, afirmou.
O episódio reflete a proposta dos cuidados paliativos oferecidos na rede pública de saúde do Distrito Federal, que priorizam a qualidade de vida, o acolhimento e o respeito à história de cada paciente. O atendimento envolve equipes multiprofissionais e busca atender não apenas às necessidades clínicas, mas também emocionais e sociais.
Naquele dia, entre corredores e equipamentos hospitalares, a maioridade de João foi celebrada como um ato de afeto. Um aniversário sem salão, sem festa tradicional, mas marcado por presença, vínculo e cuidado.






































