Quem tenta ler a política de Brasília apenas pela superfície costuma naufragar em águas rasas. No tabuleiro do Distrito Federal, as mágoas recentes e os desabafos públicos que pareciam anunciar uma tempestade desmancharam-se “como espumas ao vento”. No último sábado (23), durante o tradicional almoço do Divino, em Planaltina, o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) sinalizou a conciliação.
O movimento de Ibaneis foi cirúrgico. Dias após verbalizar uma suposta “decepção” com a atual governadora, Celina Leão (PP), o emedebista usou em tom do armistício declarou, “nós não podemos esquecer da nossa governadora Celina, que será a nossa candidata reeleita”. Aos que apostavam em um divórcio litigioso, ele entregou a senha da pacificação ao lembrar que “divergências nós temos até dentro de casa” e que o rumo definitivo é o da conciliação.
Ibaneis sabe que uma aliança histórica não se desfaz por impulsos do momento. É quase como na clássica letra de Fagner: na política real, um “grande amor não se acaba assim, feito espumas ao vento”. O mal-estar recente foi como aletra da música diz uma “raiva passageira, mania que dá e passa, feito brincadeira”, e não uma ruptura definitiva.
A verdade nua e crua é que a relação entre os dois tem raízes profundas, forjadas no ferro e no fogo. É preciso voltar a 2018 para entender o tamanho desse lastro. Naquela época, Ibaneis era novo na política, nas pesquisas, patinando com menos de 5% das intenções de voto. Celina foi uma das primeiríssimas a carimbar o passaporte daquela candidatura, estendendo a mão quando o cenário era de total incerteza.
Ao selar a paz publicamente e garantir que o grupo vai “caminhar todos juntos”, o ex-governador mandou um recado claro para a sua base e para a própria governadora de que “a porta vai estar sempre aberta, amor” para o projeto político de 2026. No fim das contas, a poeira subiu, baixou,e as falas de Ibaneis nesse sábado trazem a certeza de que o grupo continua mais unido do de nunca.




































