Quem quis enquadrar a Leoa saiu da jaula sem chapéu e sem credibilidade.
Tem político em Brasília que confunde astúcia com impulsividade. O MDB-DF acabou de aprender, da forma mais pedagógica possível, a diferença entre as duas.
O plano era simples , como costumam ser os planos que dão errado. O deputado federal Rafael Prudente, operando o tabuleiro político, movendo as peças de Ibaneis Rocha, convenceu os distritais João Hermeto, Jaqueline Silva, Iolando e Daniel Donizet a fazer uma jogada certeira, assinar uma carta ao presidente nacional do partido, Baleia Rossi, pedindo intervenção no diretório regional.
O alvo? Wellington Luiz, presidente do MDB-DF, que havia cometido o “crime” de declarar apoio público à governadora Celina Leão (PP). A missão era isolar Wellington Luiz, tirar os votos do MDB na CLDF e inviabilizar o empréstimo que o governo negociava junto ao Fundo Garantidor de Créditos para socorrer o BRB. Enquadrar Celina no momento em que ela mais precisava de sustentação política.
Papel assinado. Movimento feito. Agora era só esperar.
Não esperaram muito.
Quando o Diário Oficial começou a esvaziar cargos ligados à Rafael Prudente e o Buriti deixou claro que a conta seria apresentada.Prudente ainda chamou a reação do Buriti de “retaliação” — palavra que, nesse contexto, soa como alguém que ateia fogo na casa do vizinho e reclama que o vizinho não emprestou mais o balde.
Na terça-feira( 09) os quatro distritais signatários da carta apareceram na CLDF, votaram a favor do empréstimo,a proposta passou em primeiro turno.Imaginem a cena: a mesma mão que bate também é a que assopra . Brasília viu. Brasília registrou. Brasília não esquece esse tipo de coisa.
O que se perdeu nesse movimento não foi só credibilidade, Foi a lógica básica da reciprocidade política, aquela que diz que não se pode sentar à mesa de um governo, servi-se dela, indicar nomes, ocupar espaços e, pela manhã, articular nos bastidores para que esse mesmo governo tropece.
Wellington Luiz, o alvo do complô, sai fortalecido. Falou o que pensava, levou a pressão, não recuou. Em Brasília, isso tem nome: coerência.
Celina Leão não precisou de discurso. Governou. E nesse gesto estava a resposta mais eloquente que ela poderia produzir.
Há um ditado que ilustrou bem a política brasiliense esta semana com precisão quase didática: um dia você lança as palavras, no outro você sente o peso delas. João Hermeto, Jaqueline Silva, Iolando e Daniel Donizet não são mais os mesmos parlamentares de antes de terça-feira (09). Não para Celina Leão e tão pouco para seus eleitores .
Na política, como na vida vale a frase “a faca que fere as costas vem sempre de mãos que já fizeram juras de lealdade.”
Por Hérica Silva






































