Enquanto o aroma do churrasco gaúcho, os acordes da música tradicionalista e a movimentação dos visitantes dominam os corredores da 33ª Expotchê, no Parque da Cidade, um dos espaços mais simbólicos da feira está longe dos holofotes do entretenimento. Ali, entre peças artesanais, bordados e trabalhos manuais, mulheres transformam histórias marcadas por dificuldades em oportunidades concretas de recomeço.
Até o próximo dia 14 de junho, o Banco de Talentos, iniciativa vinculada ao programa Direito Delas, da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), ocupa um estande no centro do evento com uma proposta que vai além da exposição de produtos. O espaço funciona como uma vitrine para mulheres que encontraram no empreendedorismo uma forma de reconstruir a própria trajetória.
Os visitantes podem adquirir acessórios, artigos de decoração, roupas, peças em tricô, bordados e diversos produtos artesanais produzidos por empreendedoras do Distrito Federal. Por trás de cada item, porém, há uma história de superação. Muitas das expositoras são mulheres que enfrentaram situações de violência doméstica ou vulnerabilidade social e encontraram no trabalho uma alternativa para recuperar autonomia financeira e autoestima.
A participação na Expotchê integra uma estratégia mais ampla de inclusão econômica desenvolvida pelo Banco de Talentos. Ao longo do ano, o projeto promove feiras em centros comerciais, eventos públicos e ações comunitárias espalhadas pelas regiões administrativas do DF. Além dos espaços de comercialização, as participantes têm acesso a mentorias, oficinas de capacitação e cursos voltados ao fortalecimento de pequenos negócios e à economia solidária.
Os números ajudam a dimensionar o alcance da iniciativa. Desde o ano passado, mais de 600 mulheres foram beneficiadas pelo programa. A maioria delas — mais de 80% — vivia em situação de vulnerabilidade ou era vítima de violência. Todo o valor arrecadado durante as feiras fica integralmente com as expositoras, reforçando o objetivo de promover independência financeira e ampliar oportunidades de geração de renda.
O Banco de Talentos é uma das frentes do programa Direito Delas, política pública criada para acolher mulheres vítimas de violência e seus familiares. A iniciativa já ultrapassou a marca de 17 mil atendimentos e se consolidou como uma das principais redes de apoio do Distrito Federal voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.
Com equipes multiprofissionais, os núcleos do programa oferecem acolhimento, orientação e acompanhamento especializado. Mas a proposta vai além da proteção imediata. O foco está também na reconstrução da autonomia das mulheres, criando condições para que elas retomem o controle da própria vida por meio da capacitação profissional e da inserção em atividades produtivas.
Atualmente, o Direito Delas conta com 12 unidades espalhadas pelo Distrito Federal. A mais recente foi inaugurada em Águas Claras, ampliando a rede de atendimento e reforçando uma política pública que aposta na independência econômica como uma das formas mais eficazes de romper ciclos de violência.
Na Expotchê, essa transformação ganha forma em cada peça exposta. Mais do que produtos à venda, o estande apresenta histórias de mulheres que encontraram no próprio talento uma oportunidade de reconstruir o futuro.






































