A comunidade de Santa Luzia, na Estrutural, começou a passar por uma transformação urbana que deve beneficiar diretamente mais de 20 mil moradores. Desde novembro do ano passado, quando o governador Ibaneis Rocha assinou a ordem de serviço, está em andamento a implantação do sistema integrado de saneamento, que reúne abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, drenagem de águas pluviais e pavimentação.
Com investimento de R$ 100 milhões, a iniciativa busca levar infraestrutura essencial a uma das áreas mais vulneráveis do Distrito Federal. Santa Luzia está em processo de regularização fundiária e é classificada como Área de Relevante Interesse Social, localizada na divisa com o Parque Nacional de Brasília.
Ao autorizar o início das obras, o governador ressaltou que a solução construída pelo governo evitou propostas anteriores que previam a remoção da comunidade. “A saída encontrada foi garantir melhorias estruturais sem afastar as famílias do território onde construíram suas vidas”, afirmou.
O financiamento foi viabilizado junto a um banco privado dentro do PAC Financiamentos e será quitado integralmente pela Caesb, responsável também pela fiscalização da empresa contratada para executar os serviços.
Segundo o presidente da companhia, Luís Antônio Reis, a implantação do saneamento representa uma mudança concreta na dinâmica local. “Disponibilizar água tratada e esgoto adequado é assegurar dignidade, saúde e inclusão para a população”, destacou.
Os trabalhos começaram pela Rua 64, adotada como referência inicial do projeto. No local, já foram executados 160 metros de pavimentação em bloquetes, 313 metros quadrados de calçadas, 56 ligações domiciliares com hidrômetros e 59 metros de rede de drenagem. Além das intervenções físicas, equipes realizam visitas às residências, ações de mobilização social e mapeamento de lideranças, em articulação com a Administração Regional da Estrutural e a Codhab.
Moradora da via, Jailene Lima Xavier relata que a mudança já impacta o cotidiano da família. “Antes havia lama, esgoto a céu aberto e muito lixo. Agora a rua está estruturada e isso traz conforto para a gente”, contou.
Mãe de cinco filhos, ela afirma que a chegada da infraestrutura trouxe também reconhecimento formal do endereço. “Hoje conseguimos comprovar onde moramos, o que facilita a matrícula das crianças na escola e até o transporte escolar”, disse.
Jailene foi beneficiada pelo Cartão Material de Construção, que destina R$ 15 mil a famílias em situação de vulnerabilidade para reforma ou reconstrução das moradias. “Já comprei materiais e vou melhorar o banheiro, a cozinha e o teto da casa”, relatou.
De acordo com o administrador regional da Estrutural, Alceu Prestes, o projeto enfrenta carências históricas da localidade. “Não havia água, esgoto, drenagem, calçamento nem iluminação. Agora toda a infraestrutura está sendo implantada de forma definitiva”, afirmou.
Quando concluído, o sistema contará com 27 quilômetros de rede de abastecimento de água e a instalação de um booster para reforço da pressão, garantindo atendimento a toda a área, que possui cerca de 70 hectares. A rede de esgoto terá 11 quilômetros de extensão e duas estações elevatórias, responsáveis por encaminhar os resíduos até a Estação de Tratamento de Esgoto Norte.
Também estão previstas a construção de 10 quilômetros de galerias de águas pluviais e quatro bacias de detenção, além de 35 mil metros quadrados de pavimentação asfáltica e 15,5 mil metros quadrados de pavimento intertravado. Todas as etapas serão acompanhadas por ações de educação sanitária e ambiental, com participação de diversos órgãos do GDF, além do atendimento pelo programa Água Legal.
Desde outubro do ano passado, a Neoenergia Brasília também executa a implantação da nova rede elétrica na comunidade, com investimento de R$ 9 milhões. O projeto prevê a instalação de 683 postes e cerca de 30 quilômetros de rede elétrica, sendo 10 quilômetros de média tensão e 20 quilômetros de baixa tensão, beneficiando 4.618 famílias.
A iniciativa integra o programa Energia Cidadã, vinculado ao comitê do Energia Legal, e reforça a ampliação do acesso à energia regularizada. Nos últimos três anos, mais de 37 mil famílias tiveram o fornecimento regularizado no Distrito Federal, alcançando cerca de 140 mil pessoas. Apenas em 2025, 11 mil famílias foram atendidas em dez regiões administrativas.
Com a implantação simultânea de saneamento, pavimentação e energia regularizada, Santa Luzia inicia um processo de consolidação urbana que amplia o acesso a serviços essenciais e redefine as condições de moradia na região.






































