Fechado há mais de duas décadas, o Cine Itapuã, no Gama, começará a ser revitalizado. O governador Ibaneis Rocha assinou, nesta quinta-feira (26), a ordem de serviço para a reforma do espaço, considerado um dos principais símbolos culturais da cidade.
A obra prevê a recuperação completa da estrutura e marca a retomada de um equipamento público que, por anos, foi alvo de cobrança da população local.
Ao autorizar o início das intervenções, Ibaneis Rocha ressaltou que a reabertura responde a uma demanda antiga da comunidade e tem significado simbólico para a região. “Esse era um pedido recorrente de quem vive no Gama. Estamos falando de um espaço que tem valor para a história da cidade, e devolvê-lo à população é uma forma de respeito a essa comunidade. É gratificante ver esse equipamento voltar a funcionar depois de tanto tempo fechado”, disse.
O investimento previsto é de R$ 6,5 milhões, com execução por empresa contratada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF). A proposta do governo é entregar o cinema pronto para uso, com estrutura física e equipamentos disponíveis.
Com planejamento voltado à entrega completa do espaço, o secretário de Cultura, Claudio Abrantes, afirmou que a compra de equipamentos já foi antecipada para evitar atrasos na abertura. “A gente já se organizou para garantir também a parte de equipamentos. A ideia é evitar que a obra termine e o espaço ainda fique parado. Quando for entregue, o Cine Itapuã já estará pronto para funcionar plenamente”, afirmou.
Inaugurado em 1961, o Cine Itapuã acompanhou o desenvolvimento de Brasília e se consolidou como um dos principais pontos culturais do Gama. O local recebeu sessões de cinema, festivais e apresentações artísticas ao longo de décadas.
O espaço, no entanto, foi fechado em 2005 e, desde então, permaneceu sem uso, apresentando sinais de deterioração.
Ao comentar a importância da intervenção, Abrantes destacou que a revitalização também representa a recuperação de um patrimônio cultural da cidade. “Não é só uma reforma. Esse espaço tem um significado enorme para a cidade, faz parte da memória afetiva da população. É um patrimônio cultural que não podia continuar fechado por tanto tempo”, disse.
Entre moradores e frequentadores antigos, a reabertura é vista como um resgate histórico. O ator Marco Augusto de Rezende relembrou o papel do espaço na vida cultural da região. “Ali sempre foi muito mais que um cinema. Era um espaço de encontro, com teatro, música e eventos. Muita gente construiu histórias ali, então essa reabertura é algo muito esperado”, afirmou.
Quem acompanhou o período de abandono também vê a obra como uma virada. O comerciante José Dionízio de Lima relatou o impacto da deterioração ao longo dos anos. “Dava uma tristeza ver o prédio daquele jeito, abandonado. Quem conheceu o Cine Itapuã em funcionamento sabe a importância que ele tinha para a cidade”, disse.
Para os moradores, o espaço sempre teve papel central na convivência local. O empresário Nazon Simões Vilar destacou a relação afetiva da comunidade com o cinema. “Era um lugar onde as pessoas se encontravam, iam com a família, com amigos. Todo mundo tem alguma lembrança dali. A volta desse espaço representa muito para o Gama”, afirmou.
A reforma do Cine Itapuã faz parte de um conjunto de ações do Governo do Distrito Federal voltadas à recuperação de equipamentos públicos. Desde 2019, espaços como o Cine Brasília, o Museu de Arte de Brasília e o Autódromo Internacional passaram por obras e foram reabertos.
Outro exemplo é o Teatro Nacional Claudio Santoro, que voltou a receber público após mais de uma década fechado e segue em processo de revitalização, com nova etapa de obras já autorizada.





































