O Distrito Federal passou a adotar uma postura mais rígida no combate ao furto e ao roubo de cabos de energia, telefonia e transmissão de dados, crimes que têm provocado apagões, falhas de comunicação e prejuízos a milhares de moradores. Em vigor desde 2025, a Lei nº 15.181/25 ampliou as punições para esse tipo de delito, que registrou crescimento expressivo nos últimos meses.
Levantamento da Neoenergia Brasília aponta que, apenas neste ano, já foram contabilizadas 1.108 ocorrências relacionadas ao furto de cabos, número que afeta diretamente mais de 100 mil consumidores. A média supera três casos por dia. O Plano Piloto lidera o ranking das regiões mais impactadas, com 602 registros, seguido por Águas Claras, que soma 120 ocorrências. Cada ação criminosa resulta em desligamentos inesperados, instabilidade no fornecimento e danos a equipamentos, além de exigir intervenções técnicas prolongadas para a recomposição da rede.
O número de furtos consumados também avançou. Em 2025, foram registrados 391 casos, o que representa um aumento de 49% em relação ao ano anterior. Apesar da alta, o prejuízo financeiro apresentou queda, passando de R$ 793,6 mil em 2024 para R$ 717,8 mil neste ano. Segundo a concessionária, a redução está associada a uma mudança no perfil dos crimes, com a subtração de materiais de menor valor comercial, como fios de cobre mais simples.
Com a nova legislação, o roubo desses materiais pode resultar em penas de até 15 anos de prisão. Já o crime de furto passou a prever reclusão de dois a oito anos. A lei também endurece as sanções contra quem compra, armazena ou utiliza cabos furtados, ampliando o alcance das punições e atingindo diretamente a cadeia de receptação. As investigações indicam a atuação tanto de grupos organizados quanto de pessoas em situação de rua.
No campo da prevenção, a Polícia Civil do Distrito Federal reforçou os mecanismos de participação da população. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 197, além de canais digitais como WhatsApp, e-mail e formulário on-line. A estratégia já apresenta resultados: em 2024, a atuação integrada entre os órgãos de segurança pública e a Neoenergia resultou em uma redução de 14% nos registros em comparação com 2023.
Para o gerente da Neoenergia Brasília, Hudson Thiago, os impactos desse tipo de crime vão além do prejuízo material. “Cada furto compromete a qualidade do serviço e afeta diretamente o dia a dia da população. O reforço na legislação e o apoio da sociedade são fundamentais para coibir essa prática”, afirma.






































