O Distrito Federal alcançou, em 2025, o maior volume de resíduos recicláveis já registrado pela coleta seletiva. Foram 61,3 mil toneladas recolhidas ao longo do ano, resultado que representa um crescimento de aproximadamente 70% em comparação com 2021, quando o sistema contabilizou 36,3 mil toneladas.
O avanço reflete uma combinação de investimentos públicos, ampliação da cobertura do serviço e fortalecimento das cooperativas de catadores, responsáveis pela triagem e comercialização dos materiais. Atualmente, mais de 90% dos moradores do DF são atendidos pela coleta seletiva.
Nos últimos cinco anos, o Governo do Distrito Federal destinou R$ 94 milhões para apoiar associações e cooperativas que atuam no setor. A cadeia da reciclagem também ganhou relevância econômica, movimentando cerca de R$ 180 milhões com a venda dos materiais recuperados.
A estrutura responsável por transformar resíduos em renda está distribuída por 15 Instalações de Recuperação de Resíduos (IRRs). Nesses espaços, catadores realizam a separação dos materiais encaminhados pela coleta seletiva antes da comercialização para a indústria da reciclagem.
Hoje, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) mantém 53 contratos ativos com cooperativas e associações. Desse total, 31 são voltados à triagem dos resíduos e 22 à execução da própria coleta seletiva.
De acordo com o presidente do SLU, Luiz Felipe Carvalho, o fortalecimento dessas organizações tem sido uma das prioridades da política de gestão de resíduos no Distrito Federal. “O trabalho desenvolvido pelas cooperativas é fundamental para o funcionamento da coleta seletiva. Por isso, temos buscado ampliar a estrutura disponível, criar condições para aumentar a capacidade de triagem e incentivar a participação da população nesse processo”, afirma.
Além dos investimentos direcionados às cooperativas, o DF ampliou a rede de equipamentos voltados à limpeza urbana. Entre as ações realizadas estão a implantação de 28 unidades de papa-entulho e a instalação de mais de 20 mil lixeiras e papeleiras em diferentes regiões administrativas.
Segundo o SLU, essas medidas ajudam a reduzir pontos de descarte irregular e oferecem alternativas adequadas para o descarte de resíduos da construção civil, móveis inutilizados, restos de poda e outros materiais que não devem ser abandonados em áreas públicas.
Apesar da evolução dos indicadores, a autarquia reconhece que ainda existem desafios. Um dos principais está relacionado à separação inadequada dos resíduos dentro das residências. Quando materiais recicláveis são misturados a resíduos orgânicos ou rejeitos, parte do potencial de reaproveitamento acaba sendo perdida durante a triagem.
Os dados mais recentes mostram essa realidade. Das 61,3 mil toneladas coletadas seletivamente em 2025, cerca de 35,3 mil toneladas foram efetivamente comercializadas após o processo de separação.
Para Luiz Felipe Carvalho, a participação dos moradores continua sendo determinante para que os índices avancem nos próximos anos. “Separar corretamente os resíduos dentro de casa é uma atitude simples, mas que gera impacto direto em toda a cadeia da reciclagem. Quanto melhor esse processo acontece na origem, maiores são os ganhos ambientais, sociais e econômicos para a cidade”, ressalta.
Os cidadãos podem consultar os dias e horários da coleta seletiva, além da localização dos papa-entulhos, por meio do aplicativo SLU Coleta DF e dos canais oficiais do serviço. A expectativa é que a ampliação da conscientização e da infraestrutura continue impulsionando os resultados da reciclagem no Distrito Federal.






































