O crescimento de bairros que receberam novos empreendimentos e a abertura de áreas para a expansão da capital vão exigir uma nova rodada de investimentos em infraestrutura no Distrito Federal. A avaliação foi apresentada pela governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP), nesta quarta-feira (2), ao defender projetos que incluem a construção de viadutos, novos acessos viários e a implantação de uma nova região administrativa.
Celina participou de uma sabatina promovida pela Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco), na qual apresentou ao setor da construção civil medidas que pretende adotar para acompanhar o avanço urbano da capital.
Um dos exemplos citados foi o Park Sul. Na avaliação da governadora, os novos empreendimentos ampliaram a ocupação da região sem que os acessos acompanhassem o mesmo ritmo. A solução apresentada passa pela construção de um viaduto. “O Park Sul cresceu, recebeu muitos empreendimentos e hoje tem uma concentração muito maior de moradores e veículos. Precisamos melhorar os acessos para evitar que as pessoas tenham de fazer tantos retornos”, afirmou.
A mesma estratégia deverá alcançar Águas Claras, onde está prevista outra estrutura na saída da região. Segundo Celina, há diferentes viadutos planejados para o próximo ano.
No Jardim Botânico, a proposta vai além da construção de um único acesso. O projeto reúne dois viadutos, uma ponte e uma pista que deverá fazer a conexão com a Avenida do Sol.
A intervenção, no entanto, ainda depende de liberação porque parte do trajeto passa por uma área ambiental. “Estamos falando de dois viadutos e de uma nova ligação com a Avenida do Sol. Como o percurso passa por uma área ambiental, precisamos concluir essa etapa de licenciamento antes de seguir”, explicou.
No Noroeste, o projeto está em uma etapa diferente. A ordem de serviço para o segundo viaduto já foi dada. Quando a estrutura estiver disponível, o bairro contará com dois acessos, medida planejada para distribuir melhor o fluxo de veículos e reduzir os congestionamentos.
Enquanto algumas regiões deverão receber obras para acompanhar o adensamento, outra área está nos planos de expansão da própria cidade. Celina confirmou que o terreno do Jóquei Clube deverá dar lugar a um novo bairro e ganhar status de região administrativa.
A área, tratada inicialmente como Jóquei Park, deverá receber infraestrutura pública para viabilizar a ocupação planejada. “Queremos transformar o Jóquei em uma nova região administrativa e preparar toda a estrutura para receber o bairro. Foi também uma área em que tivemos de agir muito para impedir a grilagem, porque havia uma pressão constante de ocupações irregulares”, declarou.
Ao abordar a expansão da cidade, a governadora também defendeu o reforço da fiscalização sobre terras ocupadas ilegalmente. Celina disse que pretende utilizar câmeras e inteligência artificial para detectar invasões ainda no início e impedir a consolidação de construções.
A política foi definida por ela como “grilagem zero”. A DF Legal também deverá receber máquinas próprias para executar desocupações, reduzindo a dependência de equipamentos externos durante as operações. “Uma obra iniciada em terreno ilegal não poderá simplesmente continuar. A atuação precisa acontecer logo no começo”, disse.
O reforço da fiscalização urbana também aparece em outra proposta apresentada pela governadora à Câmara Legislativa. O projeto endurece as punições para pichações e prevê multas de até R$ 100 mil. O responsável também poderá perder benefícios sociais e terá de fazer a limpeza do espaço atingido.
Além das propostas relacionadas ao crescimento e à fiscalização urbana, Celina aproveitou o encontro com empresários para tratar do Fundo Constitucional do Distrito Federal. Ela pediu que o setor produtivo volte a se mobilizar em defesa dos recursos destinados à capital.
A governadora se posicionou contra a legislação sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na sexta-feira (28), que pode alterar os recursos destinados ao Distrito Federal. Segundo Celina, os empresários brasilienses já participaram, em duas ocasiões anteriores, da mobilização em defesa do fundo.
A reação do governo também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Celina acionou a Corte na terça-feira (1º/9) para tentar barrar a mudança. A estimativa do Instituto Fiscal Independente do Senado é de que o impacto para o Distrito Federal possa alcançar R$ 1,8 bilhão em 2027.









































