Na manhã deste sábado (30), o programa Vozes da Comunidade ,apreseentado pelo jornalista Toni Duarte, entrevistou o bancário e dirigente sindical Cristiano Severo. Em uma conversa franca, ele detalhou os bastidores e os desdobramentos da articulação pró-BRB, que resultou em um desfecho positivo na última quinta-feira (28).
Nos últims meses, o Banco de Brasília carregou o peso da incerteza. Funcionários que dedicaram décadas à instituição foram para casa sem saber se manteriam seus empregos, aposentados temiam pelo plano de saúde e clientes ligavam para as agências em busca de segurança. Quando o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou o acordo de capitalização nesta quinta-feira 28/05, o clima dentro do banco mudou imediatamente. Segundo quem estava lá, o choro deu lugar ao alívio.
“Saí andando pelas agências no dia seguinte à decisão. O semblante das pessoas tinha mudado. Escutei de um colega: ‘Cristiano, saiu um peso das nossas costas'”, relatou Cristiano Severo, bancário com quase 20 anos de BRB, durante a entrevista.
A angústia, segundo Severo, era proporcional ao tamanho do que estava em jogo — já que o papel do BRB na economia local vai muito além do que a maioria dos brasilienses percebe no cotidiano. Durante sua fala, o dirigente listou dados que ajudam a dimensionar a força da instituição:
O impacto do BRB no Distrito Federal:
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Programas sociais: Mais de 35 projetos operados no DF;
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Previdência: R$ 170 milhões transferidos nos últimos dois anos para reforçar o fundo dos servidores públicos — via instituto próprio, que possui expertise para gerir também a previdência de outras estatais distritais;
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Saúde: Mais de 3 mil mamografias realizadas por meio do Instituto BRB;
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Histórico: 60 anos de operação ininterrupta na capital federal.
O banco foi o primeiro a se instalar na região de Santa Maria e permanece como o único com uma agência física na Estrutural — decisões sociais que instituições privadas dificilmente tomariam. Como explicou Severo, a lógica dos bancos particulares começa pela triagem financeira do cliente.
“O banco privado joga o CPF na tela e já acende uma luz piscando: é potencial ou não? Potencial significa: tem dinheiro. No BRB, potencial é a confeiteira que quer montar o negócio, o marceneiro que precisa da lixadeira, o estudante que está começando.”
Atuação suprapartidária
Cristiano destacou que a atuação da governadora em exercício, Celina Leão, teve caráter suprapartidário e foi movida pela responsabilidade com a coisa pública e com os trabalhadores.
“Na primeira vez que conversei com ela, disse: governadora, eu choro todos os dias com os empregados deste banco. Ela me respondeu: Cristiano, para mim isso é uma questão de honra”, relembrou. “E ela cumpriu. Enquanto havia quem apostasse no colapso, ela elaborava a saída — securitização da dívida, negociação com o governo federal, diálogo com o ministro da Fazenda, articulação no STF.”
Para o dirigente, a união de esforços ignorou palanques políticos. “O que foi feito é suprapartidário. É um ato republicano. Antes de tudo, é cuidado com as pessoas e com a coisa pública. O BRB não é de partido nenhum — é da população do Distrito Federal.”
A decisão favorável do STF foi publicada na quinta-feira (28), justamente na mesma data em que a Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos do BRB (ANEABRB) e a Associação de Atletismo do Banco de Brasília (AABR) haviam agendado uma carreata de protesto, organizada antes mesmo das audiências no tribunal.
“Foi uma provisão”, disse Severo. “A carreata foi marcada sem saber o que viria. E veio tudo no mesmo dia.”
O que vem agora
Com o risco de liquidação totalmente afastado, o BRB começa a reconstruir a confiança do mercado e de seus clientes. As ações da instituição já registraram alta logo após o anúncio do desfecho, e contas que estavam prestes a ser encerradas foram mantidas abertas.
O próximo passo, na avaliação de Cristiano Severo, é a responsabilização judicial dos envolvidos em desvios e a recuperação dos valores subtraídos — com prioridade para o ressarcimento aos cofres do Distrito Federal, onde os danos foram causados.
“Nós não estamos olhando para espectro político. O que a gente quer ver é responsabilidade. Quem é criminoso, independente da envergadura, tem que responder. E o dinheiro que foi roubado de Brasília tem que voltar para Brasília”, concluiu.
Assista à entrevista na íntegra:






































