Em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, secretário defendeu parcerias com o setor produtivo e treinamento sob demanda para evitar que pessoas com deficiência fiquem restritas a vagas de baixa qualificação
A simples reserva de vagas prevista em lei já não é suficiente para garantir a real inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Para o secretário de Estado da Pessoa com Deficiência do DF, Willian Ferreira , o grande gargalo da empregabilidade no Distrito Federal migrou da contratação formal para a qualificação técnica e para as condições de permanência do trabalhador nas empresas.
Em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, ao jornalista Toni Duate, o gestor enfatizou a mudança de diretriz adotada pela pasta ao reestruturar sua área de atendimento. “Nós temos um setor chamado inclusão profissional. Antes, inclusive, esse setor chamava diretoria de emprego e renda. Quando a gente pensa nesse nome, dá uma conotação de que a gente só está preocupado com o preenchimento de cotas. E quando a gente fala inclusão profissional, você se preocupa desde o processo seletivo até a permanência”, explicou.
Segundo o secretário, o modelo tradicional de seleção acaba excluindo candidatos com quadros mais complexos ou que não dominam ferramentas específicas exigidas pelo mercado. “Tem chamado muita atenção que as deficiências moderadas ou graves têm ficado para trás nesse processo de contratação. Preencher cotas é um critério objetivo; agora, a permanência e o processo seletivo também têm que ser adequados”, pontuou.
Capacitação sob demanda e articulação com empresas
Para combater a incompatibilidade entre o currículo do candidato e as exigências do contratante, a secretaria reformulou sua parceria com o Senac, apostando em um formato de treinamento direcionado. Em vez de ofertar cursos genéricos, a qualificação passou a ser feita de forma customizada após a etapa de entrevista.
“Por exemplo: eu sou advogado e me candidato a uma vaga em um escritório. Sou selecionado, mas chega no escritório e eles dizem: ‘Willian, você tem formação em Excel avançado?’. Eu não tenho. A parceria que a gente fez com o Senac foi para que, caso a empresa exija requisitos adicionais que não estão no currículo daquele candidato aprovado, ele vá para o Senac fazer a capacitação e depois volte para a empresa já qualificado”, destacou o gestor, citando que o projeto piloto já capacitou dezenas de profissionais e garantiu contratações imediatas.
Atualmente, a pasta mantém articulação contínua com cerca de 120 empresas cadastradas e atua em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Para o secretário o papel do poder público deve ser o de orientar o empresariado, desmistificando os custos de adaptação no ambiente corporativo.
“Nossa secretaria não tem um poder de punição, tem um poder de articulação. A ideia é andar junto com os empresários, demonstrar essa necessidade e provar para eles que existem adaptações razoáveis que a lei permite e que não geram custo. É um trabalho conjunto de sensibilização para garantir a permanência da pessoa com deficiência dentro da empresa”, concluiu.
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