O avanço das políticas públicas voltadas às doenças raras tem ganhado força no Distrito Federal, sob a condução da governadora Celina Leão, que colocou o tema entre as prioridades da gestão. Com foco na ampliação do acesso ao tratamento e na melhoria da assistência, o Governo do Distrito Federal tem articulado medidas para estruturar uma rede mais preparada para atender pacientes com condições complexas, como a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
Entre as frentes em discussão estão a criação de centros de referência, o fortalecimento da reabilitação neuromotora e o incentivo a parcerias voltadas à inovação terapêutica. A proposta é garantir acompanhamento contínuo e mais qualificado, desde o diagnóstico até os estágios mais avançados da doença, ampliando o suporte oferecido pelo sistema público de saúde.
A movimentação local ocorre em sintonia com o debate nacional conduzido pelo Ministério da Saúde. Está em andamento a Consulta Pública SECTICS/MS nº 19/2026, que analisa a possibilidade de incorporação de novos tratamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), entre eles a edaravona, medicamento já aprovado pela Anvisa para uso no Brasil no tratamento da ELA.
Doença neurodegenerativa grave, progressiva e ainda sem cura, a ELA compromete os neurônios motores responsáveis pelos movimentos voluntários. Com a evolução do quadro, os pacientes passam a enfrentar perda de força muscular, dificuldades para falar, engolir e respirar, o que impacta diretamente a autonomia e a qualidade de vida.
Nesse cenário, a edaravona surge como uma alternativa terapêutica relevante. O medicamento atua como antioxidante, reduzindo o estresse oxidativo e contribuindo para retardar a progressão do declínio funcional em estágios iniciais da doença, especialmente em pacientes com até dois anos de evolução clínica.
Para famílias que convivem com a ELA, a possível inclusão da medicação no SUS representa um avanço significativo, ao ampliar o acesso a um tratamento que pode ajudar a preservar funções motoras por mais tempo e oferecer melhores condições de vida aos pacientes. Especialistas e associações apontam que a terapia pode prolongar a autonomia e trazer mais dignidade ao enfrentamento da doença.
A recomendação preliminar da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) foi contrária à incorporação da edaravona, mas o processo segue aberto à participação social. A consulta pública recebe contribuições até segunda-feira (13) e deve considerar aspectos como custo, impacto orçamentário, critérios clínicos e viabilidade de implementação antes da decisão final do Ministério da Saúde.
Podem participar pacientes, familiares, cuidadores, profissionais de saúde e demais interessados, por meio da plataforma Brasil Participativo. O processo inclui a leitura do relatório preliminar e o envio de contribuições técnicas ou relatos de experiência que possam subsidiar a análise.
A articulação entre as iniciativas do GDF e o debate nacional reforça a importância do alinhamento entre diferentes esferas de governo e da escuta ativa da sociedade na construção de políticas públicas. No caso das doenças raras, esse diálogo é visto como fundamental para ampliar o acesso a tratamentos e abrir novas perspectivas em um campo ainda marcado por desafios e limitações terapêuticas.





































