Pesquisas costumam medir intenção de voto. Algumas conseguem medir algo mais difícil de capturar: quando um político deixa de ocupar um cargo e passa a ocupar um espaço na percepção do eleitor.
É esse movimento que aparece na primeira pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política para a disputa pelo Palácio do Buriti.
Celina Leão (PP) lidera os cenários estimulado e espontâneo. O dado mais relevante talvez nem seja a vantagem numérica. É o fato de que ela aparece primeiro justamente no momento em que deixa de ser vista apenas como a vice que herdou o governo e passa a ser identificada como a governadora que imprime um estilo próprio de gestão.
A política costuma ser generosa com quem assume um governo em tempos de bonança. Celina encontrou o caminho inverso.
Chegou ao Palácio do Buriti em meio à maior turbulência política do atual governo. O escândalo envolvendo o BRB, a necessidade de reorganizar a administração, as cobranças na saúde pública e a pressão natural de um mandato interrompido antes do fim colocaram sobre ela um desafio que poucos escolhem enfrentar: governar enquanto administra uma crise.
Era um teste de autoridade.
Nessas circunstâncias, muitos governantes acabam consumidos pelo noticiário. Celina Leão optou por “dar as caras”, intensificou visitas às cidades, ampliou a presença em obras, levou o gabinete para as ruas da cidade , aparecer menos atrás da mesa de reuniões e mais de capacete, colete e botina.
A botina, aliás, virou mais do que uma peça do figurino.
Transformou-se em linguagem política.
Ela própria costuma dizer que é “a mulher da botina”. O símbolo funciona porque comunica uma ideia simples: a da governadora que prefere ser vista onde os problemas acontecem.
Essa percepção ajuda a explicar por que Celina Leão aparece liderando também na pesquisa espontânea. Nesse tipo de levantamento, o eleitor não escolhe entre nomes apresentados. Ele responde com aquilo que está mais presente na memória política.
Há outro aspecto que merece atenção.
Até pouco tempo, a identidade do atual governo era fortemente vinculada a Ibaneis Rocha. Hoje, a pesquisa delimita que parte do eleitorado começa a separar as duas figuras. Embora tenha participado da gestão anterior como vice-governadora, Celina passa a ser avaliada por atributos próprios. A aprovação registrada poucos meses depois de assumir o governo reforça essa percepção de que o eleitor já distingue a Celina governadora da Celina da administração que ela ajudou a compor.
Pesquisas são fotografias e como fotografias também contam histórias.
A primeira imagem da sucessão no Distrito Federal mostra uma governadora que transformou um momento de instabilidade em oportunidade para afirmar um método de governo. Outro ponto é que pela primeira vez desde que assumiu o Buriti, Celina Leão deixa de aparecer apenas como quem recebeu um governo. Passa a ser percebida como quem começa a deixar nele a própria assinatura.
*A pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política foi realizada presencialmente entre 11 e 15 de junho de 2026, abrangendo as 33 regiões administrativas do Distrito Federal. Margem de erro de 3,4 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. Registro no TSE sob o número RASC-SD0994.






































