Há 69 dias do primeiro turno das eleições de 2026, o nome do PSB/DF Ricardo Cappelli segue preso ao chão entre o eleitorado brasiliense — e isso não é indagação, nem retórica de bastidor. É dado concreto, registrado nos levantamentos mais recentes do Instituto EXATA OP e do Paraná Pesquisas.
Na pesquisa espontânea da EXATA OP — considerada um dos indicadores mais relevantes por medir a lembrança natural do eleitor, sem que os entrevistadores apresentem qualquer lista de nomes — Ricardo Cappelli (PSB) registra 2,5%. Já na abordagem estimulada, quando os pré-candidatos são apresentados ao entrevistado, o cenário melhora, mas não convence: 6,4%.
O retrato do Paraná Pesquisas, divulgado no último dia 20/07, segue a mesma toada. No primeiro cenário testado, o ex-secretário executivo do Ministério da Justiça aparece com 4,5%. No segundo, sobe para 5,7%. Números que oscilam, mas não decolam.
A barreira dos 10%
O que os dois institutos deixam claro, cada um a seu modo, é que o grande desafio de Cappelli não é crescer — é sair do chão. A pré-candidatura tem demonstrado uma linearidade quase didática, com pouquíssima margem de variação de um levantamento para o outro. Voo de galinha, batendo asa sem ganhar altitude: sobe o suficiente para levantar os pés, mas não o bastante para incomodar quem já está no ar.
Ideologia e fragmentação
Cappelli chega a esta fase de pré-campanha carregando o peso da fragmentação que tomou conta do campo progressista. PT e PSB na capital federal não conseguiram costurar uma candidatura única para representar a esquerda no Distrito Federal — cada legenda escolheu confiar na própria estrela, e nenhuma quis ceder a ponta da chapa. O PT chegou a sugerir a vice a Cappelli; recusado, o entendimento não avançou.
Na leitura da ala petista, Leandro Grass reúne mais capital político e mais fôlego para crescer ao longo da campanha, além de carregar o que talvez seja o maior trunfo eleitoral do Distrito Federal: o aceno direto do presidente Lula. Como diria o ditado, dois bicudos não se bicam — ou, para ficar no tom local, se o céu só tem espaço para uma estrela, que seja a que já nasceu com nome de presidente ao lado. Sem consenso, cada um segue em voo solo. E voo solo, como os números mostram, tem limite de altitude.
Os ventos que pesam sobre o voo
Alguns fatores pesam para a estagnação de Cappelli. A esquerda do Distrito Federal não se entende entre si, e o eleitor, por tabela, também não se entende com Cappelli. Falta o principal: identificação. Politicamente falando, ele nunca foi um nome do dia a dia do brasiliense — chegou à cidade como interventor, cargo técnico, de emergência, e de lá vislumbrou o salto direto para o Palácio do Buriti.
Não há elo construído com a cidade, não há trajetória de rua, não há aquele reconhecimento que se conquista no corpo a corpo da política local. O discurso, sem essa raiz, não empolga — soa a quem chegou de paraquedas e agora tenta convencer o eleitor de que sempre esteve ali. Entre uma esquerda que não se entende e um eleitorado que não se identifica, o resultado é o mesmo: muita asa batendo, pouca decolagem.
Ficha técnica: a pesquisa Exata OP foi realizada entre os dias 1º e 3 de julho, com 1.500 eleitores, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-02994/2026, com 95% de nível de confiança e margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. Já o levantamento do Instituto Paraná Pesquisas foi feito por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, aplicadas entre os dias 17 e 19 de julho de 2026 em todo o Distrito Federal, registrado no TSE sob o nº DF-01326/2026, com margem de erro estimada em 2,6 pontos percentuais e grau de confiança de 95%.



































