A reciclagem no Distrito Federal vem ganhando força não apenas pelos avanços ambientais, mas também pelo impacto social gerado nas cooperativas de catadores. Dez anos após o início da chamada coleta seletiva inclusiva, o modelo implantado pelo Serviço de Limpeza Urbana (SLU) ampliou a geração de renda de trabalhadores da reciclagem e aumentou o aproveitamento de resíduos recicláveis na capital.
A política começou em 2016, quando o SLU formalizou os primeiros contratos com cooperativas e associações de catadores para atuação na coleta seletiva. Desde então, o projeto cresceu e hoje reúne 31 cooperativas contratadas para realizar serviços de coleta e triagem de materiais recicláveis em diferentes regiões administrativas do DF.
Com os contratos, as cooperativas passaram a contar com suporte para custear despesas operacionais, como contratação de equipes, aquisição de equipamentos de proteção, uniformes, veículos e manutenção das atividades de reciclagem. O objetivo é garantir mais estrutura e estabilidade aos trabalhadores que atuam diretamente no reaproveitamento de resíduos.
Para o diretor-presidente do SLU, Luiz Felipe Carvalho, o modelo consolidou uma política pública capaz de unir desenvolvimento social e preservação ambiental. Segundo ele, os catadores passaram a desempenhar papel estratégico no fortalecimento da reciclagem no Distrito Federal. “Os resultados mostram que a participação das cooperativas melhora a eficiência da coleta seletiva e também promove inclusão social e geração de renda para centenas de famílias”, afirmou.
Além da coleta, os catadores também atuam na conscientização ambiental da população. Em contato direto com moradores, os profissionais orientam sobre a separação correta dos resíduos e incentivam hábitos sustentáveis dentro das comunidades. Essa atuação contribui para aumentar a qualidade do material reciclável recolhido e reduzir perdas no processo de triagem.
Os números registrados em 2025 refletem esse desempenho. As cooperativas recolheram aproximadamente 11,5 mil toneladas de materiais recicláveis em 25 regiões administrativas. Mais de 10 mil toneladas foram encaminhadas para comercialização após o processo de separação, alcançando índice de aproveitamento de cerca de 89%, percentual superior à média geral da coleta seletiva realizada no DF.
Na prática, a iniciativa também transformou a rotina de trabalhadores da reciclagem. Integrante da cooperativa R3, em Santa Maria, a catadora Maria D’Ajuda Santos relata que a inclusão das cooperativas no sistema oficial de coleta trouxe mais reconhecimento para a categoria. “A gente passou a trabalhar com mais dignidade, mais segurança e melhores condições. Isso melhorou a renda dos catadores e valorizou nosso trabalho”, destacou.
O SLU pretende ampliar a coleta seletiva inclusiva para novas regiões administrativas e reforça que a participação da população continua sendo fundamental para o sucesso do programa, especialmente com a separação correta dos resíduos recicláveis dentro de casa.






































