Tecnologias baseadas em inteligência artificial capazes de apoiar o trabalho das forças de segurança e melhorar a análise de informações públicas foram apresentadas durante a II Conferência de Segurança Pública – iLab-Segurança 2026. A exposição ocorreu na manhã de quinta-feira (5), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, e foi conduzida pelo professor da Universidade de Brasília (UnB), Edson Mintsu Hung.
A participação integrou o painel “Momento FAPDF”, dedicado à divulgação de iniciativas ligadas ao Centro Integrado de Inteligência Artificial (CIIA). O projeto reúne pesquisadores e instituições públicas para desenvolver ferramentas digitais voltadas ao tratamento de dados e à modernização da gestão pública, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).
Durante a conferência, Hung apresentou duas soluções experimentais desenvolvidas em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). As iniciativas utilizam recursos de inteligência artificial para tornar mais eficiente o processamento de informações e ampliar a capacidade de análise estratégica das instituições.
Uma das aplicações foi criada para agilizar o atendimento de chamadas de emergência. A ferramenta utiliza tecnologia de reconhecimento de voz para transformar automaticamente o conteúdo das ligações em texto. Em seguida, um modelo de linguagem organiza as informações da conversa e produz um registro estruturado com os principais dados da ocorrência.
O sistema identifica automaticamente elementos relevantes, como nome de quem fez a ligação, localização do fato, tipo de ocorrência e grau de urgência. Esses dados passam a compor um banco de informações que pode auxiliar tanto no registro quanto no acompanhamento das ocorrências pelas equipes responsáveis.
Outra funcionalidade permite que o resumo gerado seja convertido novamente em áudio e transmitido por telefone para as equipes operacionais. O recurso foi desenvolvido para atender a uma necessidade apontada pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), com o objetivo de tornar o fluxo de comunicação mais rápido.
Além disso, o pesquisador apresentou uma segunda ferramenta voltada à análise de grandes volumes de dados. O sistema utiliza algoritmos para examinar padrões de comportamento e identificar situações fora do padrão que possam indicar atividades suspeitas.
A tecnologia permite, por exemplo, detectar movimentações incomuns de veículos em determinadas regiões associadas à ocorrência de crimes. A partir dessas análises, podem ser gerados alertas e informações que auxiliam no planejamento de ações preventivas pelas forças de segurança.
Edson Mintsu Hung é engenheiro e possui mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília, instituição na qual atua como professor desde 2010. Ao longo da carreira, desenvolveu pesquisas na área de inovação tecnológica com reconhecimento internacional.
Entre suas contribuições está o desenvolvimento da técnica conhecida como wedge partition, posteriormente incorporada ao codec de vídeo AV1, atualmente utilizado em diversas plataformas e dispositivos tecnológicos ao redor do mundo.
O pesquisador também já colaborou com projetos do Centro de Estudos, Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico em Saúde Coletiva (Cepesc), vinculado à Associação Brasileira de Inteligência (Abin). Além disso, foi bolsista de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), recebeu o Google Faculty Research Award e integra grupos técnicos internacionais ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS).




































