A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), respondeu nesta quinta-feira (17/9) às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a crise do Banco de Brasília (BRB). Em vídeo divulgado pela manhã, ela afirmou que “ninguém está pedindo dinheiro ao governo federal” para socorrer a instituição financeira.
Segundo a governadora, o que o DF pleiteia é o aval da União para uma operação de crédito — valor que, segundo ela, seria pago integralmente pelo governo distrital. Celina acusou o presidente de usar o banco como instrumento eleitoral.
“Aval não é doação, nós temos que pagar”, disse. “O que você não pode fazer é transformar o BRB em uma arma eleitoral. O BRB não é meu e nem de partido algum, é um patrimônio de Brasília”, completou, citando os milhares de funcionários, clientes e famílias que, segundo ela, dependem do banco.
A governadora também classificou como pessoais as críticas do presidente e sugeriu que o tom usado por Lula teria relação com o fato de ela ser mulher. “Eu lamento muito que o presidente Lula tem escolhido partir para ofensa pessoal (…). Será que ele usaria as mesmas palavras para se dirigir a um governador homem?”, questionou, dizendo que optaria por responder “com fatos”, não com ofensas.
A fala de Lula
As declarações de Celina vieram um dia depois de o presidente discursar em um comício em Ceilândia, na noite de quarta-feira (16/9), ao lado do candidato do PT ao governo do DF, Leandro Grass. Na ocasião, Lula afirmou que não usaria recursos da União para socorrer o banco e atribuiu a crise à relação entre o ex-governador Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo o presidente, Celina agiria “de forma cínica e mentirosa” ao tentar transferir a responsabilidade pela crise ao governo federal. Lula também disse que o BRB teria comprado R$ 12 bilhões em títulos inexistentes e mencionou o Bolsa Família ao justificar a recusa em conceder o aval — associação que não reflete a estrutura do programa, já que o benefício é federal, pago via Caixa Econômica Federal, sem vínculo orçamentário direto com a operação pleiteada pelo BRB.
No mesmo vídeo, Celina citou avais concedidos pela União aos Correios como contraponto à recusa em relação ao BRB. Em 2025, o governo federal garantiu um empréstimo de R$ 12 bilhões à estatal; em fevereiro de 2026, autorizou mais R$ 8 bilhões.
Para a governadora, negar o aval ao banco distrital é uma decisão política que “terá nome, autor e consequência”. “Presidente Lula, eleição passa, governos passam, partidos passam, mas o nosso DF fica”, disse, ao pedir que o presidente representasse “todos os brasileiros, inclusive os brasilienses”.








































