Uma mudança silenciosa na forma como o SUS distribui suas vagas de internação em Minas Gerais conseguiu salvar mais vidas no último mês. A Central de Operações para Regulação Estadual (Core Saúde MG), nova plataforma do governo que substituiu o antigo sistema “SUSfácil”, completou seus primeiros 30 dias de operação com uma marca de impacto: a redução de 36% no número de óbitos de pacientes que aguardavam uma vaga em comparação com o mesmo período do ano passado.
O novo sistema monitorou o encaminhamento de mais de 120 mil pessoas ao longo do mês. O dado que mais chama a atenção dos técnicos de saúde é que a queda nas mortes aconteceu justamente em um momento de forte pressão sobre os hospitais. Nas últimas semanas, o volume de pedidos diários de internação saltou de uma média de 2.500 para cerca de 4.500 solicitações — uma explosão de demanda que, no modelo antigo, costumava travar o atendimento.
Mesmo com quase o dobro de pacientes na fila digital, o tempo médio que o doente espera por um leito caiu. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), o cruzamento mais rápido de dados clínicos permitiu que os médicos dessem andamento aos casos urgentes com muito mais agilidade.
O que mudou na hora de conseguir um leito?
Antes da Core Saúde, cada macrorregião de Minas Gerais operava a regulação de vagas com um formato próprio, o que gerava gargalos e transferências desnecessárias de pacientes para cidades muito distantes. Agora, o processo foi unificado.
Na prática, a mudança funciona em duas etapas principais dentro dos hospitais e prontos-socorros:
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Triagem inteligente: Quando o paciente dá entrada e precisa de internação, a unidade de saúde preenche campos obrigatórios no sistema. A própria plataforma faz uma primeira classificação de gravidade com base em protocolos médicos.
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Avaliação humana e regional: Com os dados mastigados pelo sistema, médicos reguladores analisam a gravidade e a disponibilidade de leitos compatíveis. O objetivo principal passou a ser a internação em hospitais o mais próximo possível da cidade de origem do paciente.
Nas pontas, os hospitais também precisaram se adaptar. Os chamados Núcleos Internos de Regulação (NIR) agora atualizam em tempo real quais leitos vagaram, agilizando a comunicação com o Estado e evitando que uma cama de hospital fique vazia enquanto há pacientes esperando na UPA.







































