Uma obra que se transformou em símbolo de abandono na região Central de Minas Gerais finalmente chegou ao fim. Após mais de dez anos de paralisações, entraves e deterioração da estrutura, o Hospital Regional de Sete Lagoas teve suas instalações oficialmente entregues nesta quarta-feira (3), marcando o início da fase de preparação para entrada em funcionamento da unidade.
O empreendimento recebeu investimentos que somam aproximadamente R$ 165 milhões e foi projetado para ampliar a oferta de atendimentos de média e alta complexidade para cerca de 640 mil moradores de Sete Lagoas e municípios vizinhos. Durante a cerimônia, o governador Mateus Simões também anunciou o repasse de R$ 76 milhões destinados à compra de equipamentos hospitalares, etapa considerada fundamental para que a unidade comece a operar nos próximos meses.
Com mais de 23 mil metros quadrados de área construída — o equivalente a mais de três campos de futebol —, o hospital deverá desafogar a rede de saúde da região, ampliando a capacidade de atendimento em especialidades médicas, exames de imagem, cirurgias e terapia intensiva.
Ao destacar a conclusão do projeto, Mateus Simões lembrou o cenário encontrado quando o governo decidiu retomar as obras.
“Quero falar do orgulho que é estar entregando esta obra depois de mais de dez anos de paralisação. Eu, desde que estive aqui pela primeira vez para ver um prédio que estava sujo, abandonado, depredado, todo quebrado, para hoje, em que temos um prédio pronto para poder começar a entrar em operação. Não é só uma transformação física, para mim também é uma transformação de identidade moral para esta cidade”, afirmou.
Segundo o governador, a estrutura representa uma mudança significativa para a assistência hospitalar da região.
“Hoje, estamos entregando uma obra de quase R$ 90 milhões, com 226 leitos, salas cirúrgicas, um bloco para imagens completo com ressonâncias, tomografia, salas para eletrocardiograma e raio-x, um pronto-socorro de 22 leitos. Então, nós estamos falando de uma mudança completa da cara da saúde de Sete Lagoas”, disse.
A unidade contará com 226 leitos, dos quais 176 serão destinados à internação, 40 à UTI adulta e 10 à UTI pediátrica. O complexo também terá pronto-atendimento, centro cirúrgico com nove salas, ambulatórios, além de uma ampla estrutura de diagnóstico por imagem, incluindo tomografia, ressonância magnética, hemodinâmica, ultrassonografia e endoscopia.
Entre os serviços previstos estão ainda um Centro de Tratamento de Queimados, atendimento bucomaxilofacial, suporte especializado para vítimas de violência sexual e leitos voltados para a saúde mental.
As obras tiveram início em 2010, mas foram interrompidas em 2015 quando pouco mais da metade do projeto havia sido executada. Durante anos, a estrutura ficou exposta à ação do tempo e ao vandalismo. A retomada ocorreu em 2023 dentro do programa estadual de conclusão dos hospitais regionais, financiado com recursos do Acordo de Reparação de Brumadinho.
O Hospital Regional de Sete Lagoas é o terceiro de cinco grandes hospitais regionais retomados pelo governo mineiro. Juntas, as unidades representam investimentos próximos de R$ 1 bilhão e devem beneficiar cerca de 6,7 milhões de pessoas em diferentes regiões do estado.
Embora as obras estejam concluídas, o funcionamento será implantado gradualmente. A gestão ficará sob responsabilidade da Prefeitura de Sete Lagoas, que deverá conduzir a estruturação operacional da unidade. A previsão é que os primeiros serviços sejam incorporados progressivamente à rede regional de saúde ao longo dos próximos meses.




































