O sedentarismo já figura entre as maiores ameaças à saúde pública mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,8 bilhão de pessoas vivem abaixo do nível mínimo recomendado de atividade física , número que pode crescer e alcançar 35% da população global até 2030, impulsionando casos de infarto, derrame e até alguns tipos de câncer.
A OMS estima que 5 milhões de mortes por ano estejam relacionadas à falta de movimento. O quadro, descrito por especialistas como “a epidemia silenciosa do século XXI”, reflete uma combinação de hábitos urbanos, rotinas cada vez mais digitais e a escassez de políticas públicas voltadas à promoção de atividade física.
No Brasil, o panorama é ainda mais alarmante. O país ocupa o posto de mais sedentário da América Latina e o quinto no ranking mundial, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quase metade dos brasileiros adultos (47%) não pratica o mínimo de exercício recomendado, e entre os jovens, o índice chega a 84%. Estima-se que 300 mil mortes anuais estejam ligadas à inatividade física.
Para a cardiologista Alexandra Mesquita, do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o sedentarismo já ultrapassou o status de preocupação individual e se tornou um problema coletivo.
“O sedentarismo já pode ser considerado uma epidemia moderna. Ele eleva o risco de doenças cardiovasculares tanto quanto fatores clássicos como a hipertensão e a obesidade”, afirma.
A médica explica que, além da falta de tempo e do comodismo, a hiperconectividade tem desempenhado papel decisivo nesse fenômeno. “A tecnologia trouxe inúmeros benefícios, mas também intensificou o sedentarismo. Precisamos contrabalançar isso com escolhas mais ativas no dia a dia”, alerta Mesquita.
O uso prolongado de telas — de computadores a smartphones — somado a longas jornadas de trabalho sentado, altera padrões de sono, aumenta a pressão arterial e favorece o ganho de peso. A OMS recomenda ao menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, ou 75 minutos de exercícios intensos, para reduzir os riscos.
Mas, segundo especialistas, mudanças simples já produzem efeitos concretos.
“Não é preciso ser atleta para proteger o coração. Subir escadas, caminhar mais ao ar livre, pedalar, nadar, dançar e reduzir o tempo sentado já diminuem o risco cardiovascular e melhoram a saúde mental”, orienta a cardiologista.
Apesar do avanço gradual na conscientização sobre o tema, Mesquita considera que o ritmo de transformação ainda é lento. “Precisamos de campanhas que estimulem hábitos mais saudáveis e tragam a atividade física para o centro da rotina das pessoas”, defende.
Dicas práticas para vencer o sedentarismo:
- Suba escadas em vez de usar o elevador — pequenas mudanças contam.
- Faça pausas no trabalho: levante-se a cada hora e caminhe por alguns minutos.
- Reduza o tempo de tela e evite longos períodos sentado.
- Troque o carro por caminhada ou bicicleta em trajetos curtos.
O desafio, segundo os especialistas, é reconectar o corpo ao movimento em uma era que, paradoxalmente, nos mantém cada vez mais imóveis.
*Com informações do IgesDF





































