Em uma conquista histórica para a representatividade no Congresso Nacional, 108 mulheres foram eleitas para a Câmara dos Deputados no pleito deste domingo (4). O resultado garante a maior bancada feminina de todos os tempos a partir de 1º de fevereiro de 2027. O avanço é de 18,68% na comparação com 2022 — equivalente a 17 parlamentares a mais do que as 91 eleitas na votação anterior.
O impulso feminino nas urnas deu o tom de um pleito que reconfigurou o quadro político da Casa. Puxado por fenômenos individuais de votação, o pleito também registrou marcas nominais históricas no campo oposto: Nikolas Ferreira (PL-MG), aos 30 anos, tornou-se o deputado federal mais votado da história do País ao superar 3,11 milhões de votos, ultrapassando seu próprio recorde de 2022. Na segunda colocação geral, o vereador e influenciador Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos, estreou na disputa federal com 3.038.438 votos. Já a maior votação nominal da bancada feminina ficou com a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), reeleita com 1.596.472 votos — ela atua como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Em termos partidários, a maior bancada da 58ª legislatura pertencerá ao PL de Jair Bolsonaro, que garantiu 121 cadeiras — um salto de 24 parlamentares em relação à eleição anterior, segundo apuração em 99,9% das urnas. A segunda posição ficou com a Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV), com 88 deputados (seis a mais que em 2022), seguida de perto pela recém-formada Federação União Progressista (União Brasil e PP), com 87 vagas.
Especialistas e juristas em Direito Constitucional destacam que a formação dessas grandes bancadas e blocos é decisiva no Congresso, pois dita a distribuição do orçamento, a liberação de emendas parlamentares e a definição dos vetores do poder legislativo. A avaliação de analistas é de que, em uma série histórica desde a Constituição de 1988, o espectro da esquerda perdeu espaço ideológico e intelectual, resultando no avanço do eleitorado conservador observado nas urnas.
Veja como ficou a distribuição de todas as bancadas eleitas na Câmara:
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PL: 121
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Federação Brasil da Esperança (PT / PCdoB / PV): 88
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Federação União Progressista (União / PP): 87
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PSD: 43
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Republicanos: 41
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MDB: 36
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Podemos: 27
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PSB: 15
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Federação PSOL / Rede: 15
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PSDB / Cidadania: 11
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Novo: 10
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PRD / Solidariedade: 7
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PDT: 6
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Avante: 5
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Missão: 1
Apesar do salto das mulheres, o avanço da diversidade não foi uniforme em todos os grupos. A bancada de deputados autodeclarados pretos e pardos encolheu 2,9%: foram 135 eleitos (26,3% das 513 cadeiras), contra 139 em 2022, embora candidatos negros tenham representado 49,64% dos postulantes gerais (10.206 candidaturas ao todo).
Já a bancada indígena minguou para apenas três eleitos (0,58% da Casa) — Paulo Guedes (PT-MG), com 126.891 votos; Juliana Cardoso (PT-SP), com 111.904 votos; e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL-SP), reeleita com 54.207 votos via quociente eleitoral. Em 2022, cinco indígenas haviam garantido vaga, em um histórico que antes contava apenas com Mário Juruna (PDT-RJ, em 1982) e Joenia Wapichana (Rede-RR, em 2018). Ao todo, 73 indígenas concorreram neste ano.
No panorama geral de ocupação das vagas, a taxa de renovação da Casa ficou em 35,67%, com 183 deputados assumindo seu primeiro mandato para o período de 2027 a 2031 — ritmo alinhado à oxigenação observada em 2022 (39,3%). A maioria do Plenário, no entanto, será composta por 301 deputados reeleitos (58,6%), soma que inclui titulares e suplentes efetivados ao longo da 57ª legislatura. Outros 29 parlamentares com passagens anteriores pelo Congresso retornam à Câmara.










































