A rotina de quem cuida de uma criança com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras vai muito além do que os olhos veem. São dias marcados por consultas, terapias, lutas por inclusão e, muitas vezes, um silêncio que pesa: o da falta de acolhimento. Pensando nisso, o Distrito Federal dá um passo importante na valorização dessas famílias com a sanção da Lei nº 7.676/2025, que institui a Semana da Maternidade e da Paternidade Atípicas.
A iniciativa, de autoria do deputado distrital Eduardo Pedrosa (União), foi sancionada pelo governador Ibaneis Rocha e passa a integrar oficialmente o calendário do DF. A semana será celebrada todos os anos na terceira semana de maio, com o objetivo de dar visibilidade, apoio e escuta às mães e pais que vivem realidades atípicas ao cuidar de filhos com deficiência, doenças raras, autismo, TDAH, dislexia ou síndrome de Down.
Acolher quem cuida
A nova lei prevê a realização de palestras, oficinas, rodas de conversa, capacitações e ações voltadas à saúde mental e à construção de redes de apoio para essas famílias. As atividades poderão ser promovidas em parceria com a sociedade civil e órgãos públicos, fortalecendo a atuação conjunta para acolher quem enfrenta uma jornada que exige tanto amor quanto resistência.
“Muitas mães e pais vivem uma rotina exaustiva, marcada por lutas diárias e solidão. É nosso dever reconhecer essa realidade e construir redes de apoio reais, com escuta, acolhimento e políticas públicas direcionadas”, afirma o deputado Eduardo Pedrosa.
Cuidar de quem cuida
A nova legislação também dialoga com os princípios do programa “Cuidando de Quem Cuida”, criado em 2023, que já previa ações voltadas para o bem-estar de mães, pais e responsáveis por pessoas com deficiência ou transtornos do desenvolvimento.
Agora, com uma semana inteira dedicada ao tema, o Distrito Federal amplia o espaço para o debate e para a valorização da maternidade e paternidade atípicas, fomentando uma cultura mais empática, inclusiva e conectada às diferentes formas de viver a parentalidade.
Em tempos onde o cuidado ainda é invisibilizado e a saúde mental dos cuidadores pouco lembrada, a Semana da Maternidade e Paternidade Atípicas representa mais do que um marco no calendário: é um gesto concreto de reconhecimento e compromisso com famílias que resistem, amam e lutam todos os dias — mesmo quando o mundo parece não perceber.




































