Na noite desta terça-feira (1º), o Correio Braziliense, em parceria com a TV Brasília, promoveu o primeiro debate entre os principais postulantes ao Palácio do Buriti desde o início oficial da campanha. Participaram do confronto Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo). Divididos em quatro blocos — perguntas dos jornalistas do Correio, embates diretos entre os candidatos com réplica e treplica e considerações finais —, os seis candidatos tiveram quase duas horas para tentar convencer o eleitorado do Distrito Federal.
O debate é a engrenagem viva da democracia. É o momento em que o sistema político se oxigena, permitindo que o cidadão contrapela propostas, meça a capacidade de gestão e pense a cidade para os próximos anos. No entanto, para cumprir esse papel, o confronto exige substância: ideias estruturadas e clareza sobre os caminhos. O que se viu no debate de ontem , contudo, ficou distante disso.
Em vez de projetar o amanhã com mapas claros de navegação, a dinâmica do confronto lembrou a de um motorista que tenta conduzir um veículo olhando fixamente pelo espelho retrovisor. O retrovisor é vital como ponto de referência e avaliação do percurso — e a governadora Celina Leão (PP) puxou os adversários para a cobrança direta sobre a atual gestão. O problema foi que, ao gastar quase todo o tempo e saliva em ataques cruzados, os candidatos esqueceram de olhar pelo para-brisa.
Todos os opositores defenderam mudanças, mas patinaram no momento crucial de explicar como pretendem realizá-las. A discursiva da renovação tropeçou na ausência de dados táteis e soluções orçamentárias reais:
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Kiko Caputo (Novo) trouxe metas arrojadas para a mobilidade — como a destinação de R$ 1 bilhão para modernizar o metrô e expandi-lo até Ceilândia, Pôr do Sol, Sol Nascente e Samambaia. Quando questionado diretamente sobre a origem dos recursos em meio à crise orçamentária citada por ele próprio, patinou ao acenar apenas com um genérico “choque de gestão”, sem precisar de onde sairia a verba.
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Ricardo Cappelli (PSB) prometeu o programa “Fila Zero” para realizar 31 mil cirurgias e a contratação imediata de 7 mil policiais e 7 mil profissionais de saúde. Contudo, evitou detalhar o impacto fiscal recorrente dessas contratações na folha de pagamento do DF.
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Leandro Grass (PT) defendeu a expansão do ensino em tempo integral e a criação de mais de 100 novas creches, mas manteve o discurso focado no embate político sobre o Fundo Constitucional, sem especificar a engenharia financeira para as obras.
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José Roberto Arruda (PSD) sugeriu fechar agências do BRB fora de Brasília e criar um plano de demissão voluntária, mas não apresentou projeções de economia nem indicou como compensaria a perda de receita do banco.
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Paula Belmonte (PSDB) concentrou suas intervenções no tom crítico à atual administração, mas deixou em segundo plano a apresentação de uma planilha orçamentária para suas intenções de governo.
O debate cumpriu seu papel de oxigenar a cena política e expor o temperamento dos concorrentes. Contudo, ao preferirem o barulho confortável dos ataques e as referências ao presente, os candidatos deixaram o eleitor brasiliense sem saber, na prática, como é ou se somente no campo das idéias essa mudança que eles por algumas vezes pregaram, mas não mostraram.









































