A formação de um cão-guia começa muito antes do treinamento especializado. No Distrito Federal, parte desse processo acontece dentro das casas de famílias voluntárias que assumem a missão de ajudar filhotes a desenvolver habilidades essenciais para o trabalho de assistência a pessoas com deficiência visual.
Nesta semana, sete filhotes da raça golden retriever foram encaminhados para a fase de socialização do programa mantido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Durante aproximadamente um ano, os animais passarão a conviver com famílias selecionadas para aprender a lidar com diferentes situações do cotidiano e ampliar a capacidade de adaptação a ambientes diversos.
Segundo o capitão Jean Charles Meireles dos Santos, essa etapa é determinante para o desenvolvimento dos cães. “É o período em que eles deixam de ser filhotes e começam a amadurecer convivendo normalmente com a sociedade. A ideia é que acompanhem a rotina das famílias, frequentem espaços públicos e se acostumem com diferentes experiências”, explica.
A rotina inclui passeios, deslocamentos de carro e visitas a locais como escolas, farmácias, supermercados e outros ambientes com grande circulação de pessoas. O objetivo é preparar os animais para reagirem com tranquilidade a estímulos variados e adquirirem segurança para a futura função.
Entre as voluntárias está a economista Júlia Conter, que já participa do programa e decidiu receber mais um filhote. Para ela, a experiência traz benefícios para toda a família e contribui para uma causa maior. “É uma oportunidade de colaborar com um projeto que fará diferença na vida de alguém. Além do carinho que recebemos dos cães, existe a satisfação de saber que estamos ajudando na formação de um futuro companheiro para uma pessoa com deficiência visual”, afirma.
Depois da fase de socialização, os animais retornam ao centro de treinamento para receber instruções específicas voltadas à condução de usuários. Paralelamente, outros 11 cães já iniciaram essa etapa mais avançada da preparação.
De acordo com o capitão Jean Charles, os exercícios são direcionados para garantir segurança durante os deslocamentos. “O cão aprende a conduzir uma pessoa de forma segura. Ele é treinado para identificar obstáculos, evitar situações de risco e auxiliar o tutor em trajetos do dia a dia”, destaca.
Os resultados do programa já podem ser percebidos por usuários que receberam cães-guia formados pela corporação. Um deles é o atleta paralímpico Leonardo Moreno, que conta com o auxílio de um dos animais treinados pelo projeto. “O cão-guia oferece mais autonomia e segurança. Ele consegue perceber obstáculos que muitas vezes não são identificados apenas com a bengala, tornando a locomoção muito mais tranquila”, relata.
Além do trabalho com os animais, o CBMDF também investe na capacitação de novos instrutores para ampliar sua capacidade de formação. A expectativa é fortalecer o programa e aumentar o número de cães preparados para atender pessoas com deficiência visual nos próximos anos. “Estamos formando profissionais especializados para garantir que cada cão receba o treinamento adequado. É um processo que exige muito cuidado, porque o trabalho desses animais tem impacto direto na segurança e na independência dos usuários”, ressalta o major João Gilberto Silva Cavalcanti.






































