Há governantes que reagem ao ruído político com mais ruído. Celina Leão (PP) escolheu outro caminho. Nesta terça-feira (20), diante de uma movimentação do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) que sinalizou, na prática, rompimento, a atual chefe do Executivo distrital respondeu com uma frase que define não apenas o momento, mas o projeto de gestão que ela quer construir: “Sucessão nunca será submissão.”
A declaração não foi agressiva. Foi precisa. E veio acompanhada de uma revelação que Celina poderia ter deixado guardada — mas optou por tornar pública: desde que assumiu o Palácio do Buriti, em março, ela governa com uma herança que poucos ousaram nomear antes dela.
“É público, todos sabem, que eu herdei uma grave crise no BRB. Herdei também um rombo bilionário nas contas públicas. Tenho trabalhado dia e noite para resolver todos esses problemas, tomando decisões que, às vezes, desagradam a muitos.”
Ao confirmar publicamente a crise no BRB e o desequilíbrio fiscal herdado, Celina Leão fez uma escolha que poucos gestores fazem voluntariamente: colocou os problemas na mesa antes que alguém os colocasse contra ela. É uma postura que comunica tanto quanto qualquer obra inaugurada — diz ao cidadão que o governo não tem medo da verdade.
Desde que assumiu, a governadora intensificou sua presença nas regiões administrativas, acelerou agendas nas cidades, ampliou investimentos e manteve o ritmo de trabalho que é a sua marca. Tudo isso enquanto enfrentava, longe dos holofotes, os bastidores de uma transição que revelou fragilidades nas contas públicas e na saúde financeira do banco público do DF.
Celina foi cuidadosa ao reconhecer sua trajetória ao lado de Ibaneis sem renunciar ao que considera essencial. “Tenho plena consciência de que fui leal durante todo o tempo que estive ao lado dele como vice-governadora”, disse. Mas foi além e redefiniu o que lealdade significa para ela.
“Lealdade é não trair os seus princípios, não fugir da verdade e nunca abandonar a população quando ela mais precisa”, afirmou.
A governadora também deixou claro o tipo de gestão que pretende conduzir daqui em diante. “Por mais que possa desagradar a muitos, meu governo será com personalidade, transparência, espírito público, perto das pessoas e cuidando de quem mais precisa”, disse.
No encerramento do pronunciamento, Celina fez uma distinção que, sem citar nomes, atravessou o debate político do DF com clareza. De um lado, quem já pensa nas eleições de outubro. Do outro, quem ainda está resolvendo o que outubro vai cobrar em resultados.
“Sigo adiante, porque nossa cidade merece todo o nosso respeito. Tem muitas pessoas que estão preocupadas com a campanha. Eu estou preocupada em resolver os problemas do Distrito Federal”, declarou a governadora.
Em Brasília, onde o calendário eleitoral costuma pautar cada declaração e cada agenda desde o início do ano, a frase soa como uma escolha política consciente. Celina Leão decidiu ser governadora primeiro e candidata depois. E fez questão de que todos soubessem disso.
“Tem muitas pessoas que estão preocupadas com a campanha. Eu estou preocupada em resolver os problemas do Distrito Federal.”





































