A intensificação da circulação de vírus respiratórios nos primeiros meses do ano já coloca o Hospital Regional de Santa Maria em estado de preparação reforçada para um período de maior pressão sobre o atendimento pediátrico. Integrante da rede administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, o hospital vem adotando medidas antecipadas para responder ao aumento da demanda por assistência infantil.
Entre março e junho, fase marcada pela sazonalidade das doenças respiratórias, a unidade registra crescimento expressivo no número de atendimentos e internações, sobretudo entre bebês e crianças pequenas. Quadros de bronquiolite, inflamação pulmonar comum nessa faixa etária, figuram entre as principais causas de procura pelo pronto-socorro.
O planejamento para enfrentar o período crítico teve início ainda em 2025, com a reorganização dos fluxos assistenciais e o reforço gradual das equipes. A estratégia inclui ampliação do número de profissionais por turno, revisão de protocolos clínicos e adequações estruturais para absorver a demanda sem comprometer a segurança do cuidado.
O alcance regional do atendimento pediátrico do hospital é evidenciado pelos dados consolidados do último ano. Em 2025, o pronto-socorro infantil realizou 32.385 atendimentos. Menos da metade dos pacientes era residente do Distrito Federal, enquanto a maioria veio de municípios de Goiás e de outros estados, o que reforça o papel do HRSM como referência além da rede local.
Para o chefe do Serviço de Pediatria, Fernando Martins, a antecipação é determinante para atravessar o período de maior pressão com mais estabilidade. “Esse é um cenário recorrente. Quando o planejamento começa cedo, conseguimos organizar melhor as equipes e reduzir a sobrecarga nos momentos de pico”, afirma.
Atualmente, o hospital conta com 55 pediatras distribuídos entre os setores assistenciais e aguarda a incorporação de novos profissionais por meio de processo seletivo em fase final. Também está prevista a liberação de horas extras e ajustes nas escalas médicas e de enfermagem durante os meses mais críticos.
A estrutura do pronto-socorro infantil inclui sala de acolhimento com classificação de risco, área de medicação, consultórios médicos e um box de emergência com seis leitos, incluindo espaços destinados ao isolamento e à estabilização de pacientes graves. O atendimento é complementado por alas de observação, que somam 20 leitos, além de áreas de apoio.
Na internação, a enfermaria pediátrica dispõe de 25 leitos comuns, organizados em cinco enfermarias, além de um leito de isolamento e salas destinadas a procedimentos e medicação, assegurando a continuidade do cuidado aos pacientes que demandam acompanhamento prolongado.
Paralelamente ao reforço assistencial, a unidade também investiu na humanização dos espaços. O pronto-socorro infantil passou por intervenções visuais, com cores e ilustrações temáticas, para tornar o ambiente mais acolhedor. Outro avanço é a criação do Espaço Humanizar TEA, ambiente sensorial voltado ao atendimento de crianças com transtorno do espectro autista, com redução de estímulos visuais e sonoros.
Segundo o presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, o objetivo é garantir que a rede esteja preparada nos momentos de maior pressão. “Esse período exige planejamento e resposta rápida. Trabalhamos de forma antecipada para que as unidades ofereçam atendimento com mais qualidade, segurança e acolhimento, especialmente às crianças e suas famílias”, conclui.





































