No Distrito Federal, o início da vida de milhares de crianças está mais seguro. Em 2025, 39.891 recém-nascidos passaram pelo teste do pezinho, exame que identifica precocemente doenças graves e tratáveis. O número representa um aumento de mais de três mil em relação a 2024 e reflete a maior adesão da rede privada ao serviço público, além da expansão do rol de condições analisadas, agora com 62 doenças.
A vice-governadora Celina Leão ressaltou o impacto da triagem neonatal. “Com o diagnóstico precoce, conseguimos prevenir complicações e garantir tratamento adequado. É uma medida que protege toda a família desde os primeiros dias de vida”, afirmou. Ela lembrou que a ampliação do exame começou com o projeto de lei PL nº 1.994/2018, apresentado por ela quando atuava como deputada distrital.
O teste do pezinho do DF está entre os mais abrangentes do país. Desde 2019, doenças lisossômicas e imunodeficiência combinada grave (SCID) passaram a ser rastreadas. Em 2021, entrou a atrofia muscular espinhal (AME), seguindo as etapas da Lei Federal nº 14.154, que define a expansão gradual do rol mínimo de doenças a serem investigadas. Hoje, o DF já alcançou a etapa 5 da legislação.
O médico Lourenço Evangelista, do Laboratório Especializado em Triagem Neonatal — Unidade Genética, explica que muitas famílias da rede privada passaram a procurar as UBSs para realizar o exame. “Nosso teste cobre mais doenças do que a maioria dos exames privados. Isso faz com que os pais optem pelas unidades básicas de saúde para garantir a triagem completa”, afirmou. Entre 2024 e 2025, as coletas realizadas nas UBSs subiram de pouco mais de 3 mil para mais de 5 mil.
Entre as doenças recentemente incorporadas estão defeitos primários da imunidade, AME e doenças lisossômicas de depósito. Desde a inclusão da AME, 14 crianças foram diagnosticadas, algumas ainda sem sintomas, o que permitiu iniciar o tratamento imediatamente. “Detectar cedo essas condições faz toda a diferença no desenvolvimento das crianças”, destacou Evangelista.
O exame é feito com gotas de sangue coletadas em maternidades, hospitais, casas de parto e UBSs. Cada amostra recebe um código de rastreio e segue protocolos específicos para prematuros ou internados, garantindo rapidez e segurança no processamento.
A bióloga Gabriella Vasconcelos ressaltou que todo o processo é acompanhado de perto. “As amostras são transportadas refrigeradas e, em caso de alteração, a família é avisada imediatamente. Isso assegura que a criança receba o cuidado necessário o quanto antes”, explicou.
Com o avanço da triagem neonatal, o DF garante não apenas diagnóstico rápido, mas também intervenção precoce, transformando a vida de milhares de recém-nascidos todos os anos.






































