Uma pergunta feita por uma moradora do Jardim Botânico durante o programa Vozes da Cumunidade desta sexta-feira (19),sintetiza uma das maiores angústias de quem enfrenta um diagnóstico de câncer: existe garantia de que o tratamento não será interrompido?
A dúvida de Maria das Dores abriu espaço para um dos principais balanços apresentados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal sobre a rede oncológica. Segundo o secretário de saúde do DF, Juracy Lacerda, o tempo de espera para a primeira consulta especializada foi reduzido em 71%, passando de aproximadamente 100 dias para um intervalo que hoje varia entre 20 e 28 dias — em determinados momentos, chegou a apenas oito dias.
Mas a melhora trouxe um efeito inesperado. Em vez de diminuir, a fila de pacientes aumentou.
De acordo com o secretário, a rede oncológica do Distrito Federal recebia, em média, cerca de 300 novos pacientes por mês. Atualmente, esse número ultrapassa 600. Para a pasta, o crescimento não representa piora no atendimento, mas o aumento da procura por pessoas vindas de outros estados em busca de tratamento pelo SUS no DF.
“O que importa para nós é o tempo de espera. Hoje temos uma fila maior porque mais pessoas estão procurando atendimento, inclusive de outras unidades da Federação”, afirmou.
Mudança no percurso do paciente
A principal alteração ocorreu na forma como o tratamento passou a ser organizado.
Antes, após a primeira consulta, o paciente retornava às filas comuns para realizar exames como tomografia, ressonância magnética ou PET-CT, o que prolongava o início da terapia.
Agora, segundo a Secretaria de Saúde, foi criada uma linha de cuidado específica para pacientes oncológicos. Com isso, exames e procedimentos passaram a ter prioridade dentro do fluxo assistencial, reduzindo o intervalo entre o diagnóstico e o início da quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.
A estratégia integra o programa Câncer Não Espera, criado para acelerar o atendimento aos pacientes com suspeita ou confirmação da doença.
Expansão para manter o tempo de resposta
O aumento da demanda levou o governo a preparar uma nova ampliação da estrutura.
Entre as medidas anunciadas estão a contratação de mais vagas na rede privada credenciada e a incorporação de 18 novos oncologistas para evitar que o crescimento da procura comprometa o tempo de atendimento.
Segundo Juracy Lacerda, a meta é estabilizar o prazo da primeira consulta em cerca de 20 dias, mesmo diante do aumento contínuo da demanda.
Ao responder à pergunta da ouvinte, o secretário afirmou que a Secretaria de Saúde não tem registrado interrupções sistemáticas nos tratamentos em andamento.
Segundo ele, pacientes que iniciam ciclos de quimioterapia ou radioterapia permanecem acompanhados até a conclusão das etapas previstas, dentro da linha de cuidado estruturada pelo programa.
Caso ocorram situações pontuais, a orientação é que os pacientes procurem imediatamente os canais de atendimento da Secretaria para que o caso seja analisado individualmente.
Tecnologia na gestão
A reorganização da oncologia faz parte de uma estratégia mais ampla de gestão baseada em tecnologia.
Painéis de monitoramento permitem acompanhar, em tempo real, indicadores como filas de consultas, exames e cirurgias, ajudando a direcionar recursos para as especialidades com maior demanda.
Segundo Juracy Lacerda, esse modelo também tem sido aplicado em programas como o Opera DF, responsável pela ampliação das cirurgias eletivas, e deve avançar para outras áreas da rede pública de saúde nos próximos meses.
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