Uma rede que atende, em média, mais de 17 mil famílias por mês só nos centros de referência da assistência social. Esse é o retrato que a secretária de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, Giselle Ferreira, trouxe à tona nesta sexta-feira (17), em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, comandado pelo jornalista Toni Duarte.
Os números, apresentados ao vivo, escancaram a dimensão do trabalho tocado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDES-DF): somente em 2025, mais de 205 mil famílias já foram atendidas pelas equipes espalhadas pelo DF. Mas, segundo a secretária, a estatística mais importante não está nas planilhas — está no que acontece depois que o benefício cai na conta.
Para Giselle Ferreira, reduzir a assistência social a um repasse financeiro é um erro de leitura. Na visão da secretária, a engrenagem só funciona porque existe uma porta de entrada bem definida: os Centros de Referência de Assistência Social, os CRAS, presentes nas regiões administrativas do DF.
É ali que a família em situação de vulnerabilidade é recebida, passa por uma avaliação da sua realidade socioeconômica e, só então, é direcionada ao programa que faz sentido para o seu caso. Não existe fórmula única — existe triagem.
“Nosso compromisso é fazer com que a assistência chegue a quem realmente precisa. O atendimento começa com o acolhimento e se transforma em oportunidades para que essas famílias tenham dignidade e qualidade de vida”, resumiu a secretária durante a entrevista.
Os três pilares que sustentam a rede
Na prática, essa estrutura de acolhimento se desdobra em programas que, juntos, chegam a dezenas de milhares de lares brasilienses todos os meses. Um raio-X do que está em vigor hoje:
- Cartão Prato Cheio — hoje garante alimento na mesa de cerca de 130 mil famílias;
- DF Social — repassa auxílio financeiro mensal a aproximadamente 70 mil famílias;
- Cartão Gás — cobre o botijão de outras 70 mil famílias, aliviando um gasto que costuma pesar no orçamento doméstico.
Somados, os três programas ultrapassam a marca de 270 mil atendimentos mensais — um contingente que, sozinho, equivaleria à população de uma cidade média brasileira.
Por que o cartão não é o fim da linha?
O ponto em que a secretária mais insistiu na entrevista foi este: o benefício financeiro é a porta, não o destino final. Segundo ela, cada família inserida em algum programa segue sendo acompanhada por equipes sociais, que monitoram sua evolução e a conectam a outros serviços públicos — sejam eles de saúde, educação ou qualificação profissional.
“O benefício financeiro é importante, mas ele vem acompanhado de acompanhamento social, orientação e acesso a outros serviços. O foco é fortalecer as famílias para que elas possam superar a situação de vulnerabilidade”, afirmou Giselle Ferreira.
A lógica, segundo a gestora, é evitar que o auxílio se torne uma muleta permanente e, em vez disso, funcione como uma ponte até a autonomia financeira da família.
“Não é ação emergencial, é política de Estado”
Outro trecho que marcou a entrevista foi a defesa que a secretária fez do caráter permanente da política. Para ela, tratar a assistência social como resposta pontual a crises é um equívoco — o desenho da SEDES, segundo Giselle, é o de uma estrutura contínua, pensada para durar além de qualquer conjuntura econômica.
“Nós conhecemos a realidade das comunidades porque estamos presentes nelas. O nosso trabalho é acolher, orientar e garantir que os direitos dessas pessoas sejam efetivamente assegurados”, declarou.
O que vem pela frente
Ao final da entrevista, a secretária sinalizou que a gestão pretende seguir na mesma direção: ampliar a capilaridade da rede de proteção social e reforçar os programas já em funcionamento, sem abrir mão do acompanhamento individualizado das famílias — o que, segundo ela, é o verdadeiro diferencial da política adotada pelo Distrito Federal.
A entrevista fez parte do Vozes da Comunidade, programa exibido ao vivo todas as sextas-feiras, que tem como proposta aproximar gestores públicos da população e colocar em debate os temas que atravessam o cotidiano do Distrito Federal.
Assista ao Vozes da Comunidade na íntegra:




































