“Imagine você cuidando da população do Distrito Federal e não ter dados para poder se planejar”, disse Juracy, ao explicar por que a ausência de tecnologia era, segundo ele, um dos maiores gargalos da pasta antes de sua gestão.
O ponto de partida é um número que poucos imaginam: o complexo regulador da Secretaria de Saúde do DF administra cerca de 1.600 tipos de fila diferentes. Ultrassom é uma fila. Tomografia de tórax é outra. Tomografia de crânio, outra ainda. Para um gestor, controlar manualmente esse volume de informação seria praticamente impossível.
A solução encontrada veio da estatística: a chamada regra de Pareto, segundo a qual uma pequena parcela de causas costuma gerar a maior parte dos efeitos. Aplicada à saúde do DF, a lógica revelou algo concreto — vinte procedimentos específicos respondiam por 80% de todas as filas do sistema. “Foi a partir daí que conseguimos lançar projetos importantes como o Câncer Não Espera e o programa Opera DF”, afirmou o secretário.

Um dos exemplos mais didáticos trazidos pelo secretário durante a entrevista foi sobre o impacto da gestão de leitos em tempo real. Segundo Juracy, reduzir em apenas um dia o tempo médio de permanência de um paciente internado — muitas vezes represado por um exame de tomografia que demora a sair, por exemplo — pode liberar entre 500 e 1.000 leitos no sistema como um todo.
“Se eu consigo reduzir isso de maneira eficaz, eu ganho na prática um hospital de 500 leitos”, resumiu. A comparação ilustra por que a Secretaria tem investido pesado em painéis que mostram, em tempo real, a taxa de ocupação de cada unidade da rede.
Do papel ao tablet: a rotina dos agentes comunitários de saúde
A digitalização também chegou à ponta do atendimento. Juracy contou que os agentes comunitários de saúde do DF — responsáveis pelas visitas domiciliares em todo o território — trocaram o tradicional papel e caneta por tablets. Antes, cada visita gerava uma anotação manual que precisava ser levada até a UBS, onde o agente disputava fila por um computador disponível para digitar as informações.
“A partir do momento que ele termina aquela visita, já conseguimos compilar esses dados para pensar política de saúde para aquela região”, explicou o secretário, destacando que a mudança trouxe ganho duplo: dados em tempo real para o planejamento da gestão e melhor qualidade de vida no trabalho para o próprio agente.
Próximos passos: prontuário único e troca do sistema de regulação
Juracy adiantou que a Secretaria trabalha em duas frentes tecnológicas que devem ganhar corpo nos próximos meses. A primeira é a troca do sistema de regulação — hoje desatualizado e sem integração com o estado de Goiás, o que gera retrabalho quando um mesmo paciente está cadastrado em filas dos dois estados. A segunda é a implantação de um prontuário único, determinação direta da governadora Celina Leão, que hoje encontra hospitais da rede operando com sistemas diferentes entre si — incluindo o Hospital de Base, o Instituto de Cardiologia e outras unidades do IGES.
“A ideia é que o paciente que for atendido na Secretaria de Saúde, se chegar no IGES, já vai estar com o cadastro pronto. Ele não precisa passar por todos esses trâmites de novo”, afirmou.
O que a tecnologia já mudou na saúde do DF
- 1.600 filas mapeadas e organizadas por relevância via regra de Pareto
- Painel de leitos em tempo real para gestão hospitalar
- Tablets substituindo papel na rotina dos agentes comunitários de saúde
- Farmácia Digital em fase de migração para cerca de 56 mil pacientes de alto custo
- Próximos passos: novo sistema de regulação integrado com Goiás e prontuário único entre hospitais do DF
A entrevista reforçou o papel que o Vozes da Comunidade vem consolidando na rotinado brasiliense. Sob a condução do jornalista Toni Duarte, o programa tem se firmado como um espaço onde gestores públicos prestam contas diretamente à população — sem intermediários, respondendo a perguntas de jornalistas de diferentes regiões administrativas e também do público que acompanha pelo chat ao vivo, como ocorreu nesta sexta com a pergunta da ouvinte identificada como Maria das Dores.
É justamente esse formato — direto, sem roteiro fechado e aberto à participação popular — que tem permitido ao programa colocar em pauta temas que afetam o cotidiano do brasiliense.O Vozes da Comunidade é transmitido ao vivo pelo YouTube e retransmitido por rádios comunitárias do DF e Entorno, com apoio da Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP).
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