O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o grande vencedor da disputa pelo Senado nas eleições deste domingo (4). A sigla elegeu 19 dos 54 senadores em jogo e, a partir de fevereiro de 2027, passará a ter uma bancada gigante com 28 parlamentares.
O resultado transforma a sigla na maior força isolada da Casa Alta desde a promulgação da Constituição de 1988, superando a marca histórica que pertencia ao PMDB (hoje MDB) em 1999, quando o partido iniciou a legislatura com 27 congressistas.
Com o apetite demonstrado nas urnas, o PL sozinho vai controlar mais de um terço de todo o Plenário (são 81 cadeiras no total). Para se ter uma ideia do abismo em relação aos adversários, as bancadas do PT (com 9 senadores) e do MDB (com 8) juntas não chegam perto do tamanho do grupo bolsonarista.

A vitória do PL foi puxada por um desempenho avassalador em estados estratégicos. O partido conseguiu emplacar “dobradinhas” — quando elegem os dois senadores de uma vez — em cinco unidades da Federação: Distrito Federal, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rondônia e Mato Grosso do Sul. Desde a redemocratização, nenhum partido havia conseguido emplacar dois nomes no mesmo estado em mais de três locais em uma mesma eleição.
A conta da bancada liberal para 2027 também já inclui a chegada de suplentes. É o caso de Alex Diniz (PL), que vai herdar a vaga de Cleitinho (Republicanos-MG), eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno. Situação parecida ocorre no Paraná: com a vitória de Sergio Moro (PL) para o governo estadual, quem assume a cadeira no Senado é o primeiro suplente Luís Felipe Cunha (União).
Se o PL comemora, o PSD de Gilberto Kassab amarga o título de grande derrotado do pleito. Principal força política do Senado nos últimos anos — com 15 nomes em 2023 —, a sigla despencou e deve começar 2027 com apenas 5 senadores.
Bancada feminina bate recorde e enxugamento de siglas
Apesar do tombo do centro e da polarização, o pleito de 2026 trouxe marcas históricas em outras frentes:
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Recorde de mulheres: 12 candidatas foram eleitas para o Senado neste domingo. Com o resultado, a bancada feminina na Casa chegará a 18 parlamentares em 2027 — o maior número da história.
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Menos partidos no jogo: A eleição confirmou o enxugamento do sistema partidário. Enquanto em 2018 nada menos que 20 partidos conseguiram eleger senadores, desta vez apenas 13 siglas garantiram assentos na Casa.
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Extinção de legendas: Sete partidos que fizeram senadores em 2018 desapareceram do mapa político desde então, engolidos por fusões ou incorporações — caso do DEM e do PSL, que viraram o União Brasil, e do PTB e Patriota, que se uniram no PRD.

Encrenca jurídica e olho no 2º turno
Mesmo com o desenho adiantado, o tamanho final das bancadas ainda pode sofrer abalos até a posse, em fevereiro do ano que vem.
A situação mais delicada envolve a eleição de Deltan Dallagnol (Novo) no Paraná. O ex-procurador foi o candidato mais votado no estado, mas sua candidatura segue na corda bamba no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O relator do caso, ministro Floriano de Azevedo, chegou a negar o registro no sábado (3), sustentando a inelegibilidade de Dallagnol por ter pedido exoneração do Ministério Público enquanto respondia a processos disciplinares.
O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu a decisão monocrática até que o plenário do TSE vote o tema. Se a inelegibilidade de Deltan for confirmada, uma nova eleição terá de ser convocada no Paraná.

Além do tribunal, a disputa no segundo turno para os governos estaduais no dia 25 de outubro pode mexer nas cadeiras. Se Alan Rick (Republicanos-AC) ou Omar Aziz (PSD-AM) forem eleitos governadores em seus estados, darão lugar a suplentes do PSD e do PT, respectivamente, alterando o placar das bancadas no ano que vem.










































