Há campanhas que mudam de tom entre um turno e outro. Outras mudam de rosto. A de Leandro Grass, candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, fez a segunda coisa: nas novas peças do segundo turno, a estrela sumiu, o vermelho desapareceu, o 13 ganhou cor laranja e GRASS aparece comfundo azul. Do partido que o lançou, restou só o número, e disfarçado.
Campanhas mudam de estratégia o tempo todo, e ninguém discute isso. O que se discute é a coerência entre o que se diz e o que se faz.
Grass afirma que a campanha “cresceu” e agora é “plural”, de frente ampla, e que gente “que nunca votou no PT agora vai votar”. Os números, porém, contam outra história. A mais recente pesquisa Datafolha mostra Celina Leão na liderança, com 55% das intenções de voto, contra 37% de Grass. Brancos e nulos somam 5%, e os indecisos, 3%. No primeiro turno, Celina já havia sido a mais votada, com 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% do petista. Das 19 zonas eleitorais do DF, ela venceu em 17. Grass levou apenas duas: Asa Sul e Asa Norte.
Ou seja, a campanha que “cresceu” é a mesma que, entre um turno e outro, viu a distância para a adversária se manter larga, e agora aposta em esconder a própria bandeira para correr atrás dela. Se a frente ampla é tão promissora, por que oelementos que lembram o PT precisam ser escondido? Quem tem orgulho do próprio projeto o apresenta junto com as suas cores. Quem retira os símbolos da vitrine sugere, ainda que sem dizer, que eles viraram um problema.
A estrela e o vermelho não são detalhe gráfico. São a memória de uma militância que, no primeiro turno, acreditou no nome de Grass e agora, na reta final, ela assiste ao seu candidato guardar a bandeira para parecer mais palatável a quem nunca a empunhou.
Isso levanta uma pergunta incômoda: ampliar o diálogo exige apagar a identidade? Uma frente ampla se constrói somando, e não subtraindo.Quando o gesto de abertura vem acompanhado da supressão dos símbolos de quem sustentou a candidatura até aqui, o que se comunica não é pluralidade, é distanciamento.
Há ainda o problema da confiança. Se o candidato se serve do partido e da militância quando precisa deles e os põe de lado quando acha mais conveniente, que garantia o eleitor, de esquerda tem de que as convicções não serão igualmente maleáveis depois da eleição?
A nove dias das urnas, com a diferença nas pesquisas e o mapa das zonas eleitorais como estão, trocar de cores dificilmente resolve o que é, no fundo, uma questão de projeto e de voto. Grass tem todo o direito de buscar eleitores fora da sua base. O que não pode é pedir que a base aplauda o gesto de ser deixada de lado. Eleitor não gosta de ser tratado como acessório, e militante menos ainda.









































