A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a situação enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB) impede, neste momento, a divulgação dos balanços financeiros atrasados da instituição. Segundo ela, a publicação das demonstrações depende da capitalização do banco, alvo de uma negociação que pode movimentar até R$ 6,6 bilhões.
A declaração foi feita durante audiência de mediação no STF. Celina explicou que os balanços permanecem retidos enquanto o BRB atravessa o processo de recuperação e defendeu a entrada de recursos como necessária para que o banco avance na reorganização.
O posicionamento da governadora evidencia o principal entrave da negociação. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) exige as demonstrações financeiras para avaliar a liberação do empréstimo. O GDF, por sua vez, sustenta que a capitalização é justamente uma das ferramentas necessárias para viabilizar a recuperação da instituição e, posteriormente, a divulgação das contas.
Para viabilizar a operação, Celina defende a necessidade do aval do governo federal. O modelo em discussão não prevê repasse direto de recursos da União. A proposta utiliza garantias do sistema bancário e contragarantias do Distrito Federal, por meio dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios.
Até o momento, nenhuma instituição bancária formalizou interesse na operação.
FGC aguarda balanços
Em ofício encaminhado à governadora, o FGC informou que ainda não recebeu todas as informações necessárias para analisar o pedido de empréstimo.
O fundo solicitou ao GDF e ao BRB as demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025 e ao primeiro semestre de 2026. Os documentos, no entanto, ainda não foram apresentados.
A exigência cria um impasse para a operação bilionária. Enquanto o FGC considera os balanços indispensáveis para avaliar a situação financeira da instituição antes de liberar os recursos, Celina afirma que as demonstrações só poderão ser divulgadas após a capitalização do banco.
Crise no BRB
A tentativa de reforçar o caixa ocorre em meio a uma crise de confiança no BRB, provocada pelas operações envolvendo o Banco Master, investigadas pela Operação Compliance Zero.
As apurações apontam prejuízo de aproximadamente R$ 12 bilhões relacionado aos negócios sob investigação.
Além da pressão financeira, o BRB enfrenta atraso na divulgação das próprias contas. O prazo para apresentação do balanço anual terminou em 31 de março, mas o fechamento ainda depende da conclusão de auditorias e de tratativas com órgãos reguladores.
O cenário ampliou a pressão sobre o futuro da instituição. Especialistas avaliam que a crise pode comprometer a continuidade do banco, abalar a confiança de clientes e investidores e ganhar espaço no debate eleitoral.
No centro da discussão conduzida no Supremo está, portanto, uma equação ainda sem solução: o BRB busca bilhões para avançar na recuperação, enquanto a liberação dos recursos esbarra justamente na apresentação dos balanços que, segundo Celina, dependem primeiro da capitalização da instituição.






































