O Cruzeiro comemorou 66 anos, e a coletiva concedida por Gustavo Aires, administrador da região desde 2023, para jornalista da ABBP ,acabou se transformando em algo mais que um balanço de gestão.
Foi quase um inventário afetivo ,mas conduzido com a sobriedade de quem precisa prestar contas e a responsabilidade de quem sabe que cada dado tem uma história humana por trás.
“Eu cresci aqui. E tudo o que faço passa primeiro pelo respeito a quem fez essa cidade existir”.
O primeiro eixo destacado por Gustavo foi também o mais sensível e, segundo ele, o mais urgente.
“O Cruzeiro é a cidade com a maior população idosa do Distrito Federal. Não consigo pensar nada para cá sem olhar primeiro para eles.”
Os números confirmam a prioridade:
– 20 km de calçadas foram reformados para garantir segurança e mobilidade;
– Cursos de informática foram abertos, integrando jovens e idosos numa convivência que ele descreve como “rica e necessária”;
– Uma audiência pública com 500 idosos debateu direitos e políticas públicas específicas;
– E, em novembro, 18 ônibus chegaram ao Cruzeiro para um baile de máscaras voltado exclusivamente para eles.
“O idoso não quer só atividade. Ele quer ser visto. Ele quer saber que pertence.”
Ao falar de esporte, Gustavo assume outra tonalidade: a de quem sabe que quadra, campo e ginásio também são políticas públicas de segurança, saúde e convivência social.
“O Cruzeiro sempre viveu do esporte. E agora voltou a viver.”
Nos últimos meses:
– O Estádio Odilon Aires, que leva o nome do pai do administrador, entrou em processo de revitalização completa, com troca do gramado garantida pela Novacap;
– O ginásio começou a ser reformado;
– Campos comunitários foram reconstruídos;
– E os Jogos Comunitários ressurgiram com força: mais de 600 pessoas no ginásio, dezenas de modalidades e crianças de sete anos exibindo medalhas quase maiores que elas.
“Quando uma criança recebe uma medalha, não é só um prêmio. É o começo de uma história.”
Se o esporte devolve movimento ao Cruzeiro, a cultura devolve voz.
“O Cruzeiro sempre foi cultura. A gente só precisava devolver isso para a rua.”
Foi assim que nasceram:
– A retomada da Feira de Mané, com samba na rua;
– O retorno do evento Canta Gavião, com rock ocupando a Praça da Farol;
– O fortalecimento das festas juninas das paróquias;
– E, principalmente, a conquista histórica da escritura definitiva da ARUC, sonho de décadas que finalmente se materializou.
“Cultura não é luxo. É raiz. Quando a cultura volta, a comunidade volta junto.”
A biblioteca da cidade , mais do que simbolica tem identidade com os moradores locais, fechada desde 2018 e destinada à demolição, foi salva por insistência.
Um novo laudo mostrou que a história não precisava ser enterrada, apenas restaurada.O processo de revitalização está na etapa final da Novacap. Enquanto isso, a administração abriu uma sala de estudo que funciona todos os dias com reconhecimento facial .
“Eu não podia aceitar que o estudante do Cruzeiro ficasse sem lugar para estudar.”
Dois deles já passaram em concursos,pequena vitória, enorme significado.
Ao falar do pai,o ex-deputado Odilon Aires, Gustavo lembrou do compromisso diário que tem famílias de pessoas com doenças raras .
“Meu pai morreu de ELA. E quem convive com doença rara nunca mais é a mesma pessoa.”
Dessa experiência nasceu o Instituto Odilon Aires, voltado para famílias de pessoas com doenças raras e hoje articulador de projetos, redes de apoio e orientações. Um deles já virou projeto de lei federal, garantindo benefício para mães que precisam abandonar o trabalho para cuidar dos filhos.
“É por elas que eu luto. É por elas que eu vou continuar lutando, independentemente do cargo que eu ocupe.”
Sobre amaneira como sua gestão tem impactado a realidade local dois exemplos simples ganharam proporções inesperadas:
- A Operação Catacaca, com 35 lixeiras novas para descarte de fezes de pets, virou referência nacional.
“Às vezes, o que falta é só tirar a desculpa. A lixeira tira a desculpa.” - As casinhas de passarinho, construídas por um morador com restos de madeira, foram assumidas pela administração e espalhadas por todo o Cruzeiro.
São gestos que parecem mínimos, mas constroem convivência —e isso, no Cruzeiro, sempre foi matéria-prima.
Quando perguntado sobre o futuro político, ele não fez rodeios:
“Sim, sou pré-candidato. Mas política é sola de sapato. É conversar, é ouvir.”
Se há algo que liga esporte, cultura, idosos, infraestrutura, biblioteca e pequenos projetos, é a percepção de que Gustavo administra o Cruzeiro como quem administra uma casa cheia de memórias ,sabendo que arrumar não é apenas consertar, mas respeitar o que veio antes e preparar o que virá.
Ao falar do Dna que sua gestão imprime na cidade ,Gustavo Aires diz que “o maior legado é devolver ao cruzeirense o orgulho de ser cruzeirense.”





































