Em tempos de juros altos e consumo ainda em retomada, Minas Gerais tem desafiado o ambiente macroeconômico nacional ao registrar um avanço expressivo na abertura de empresas. Somente entre janeiro e maio deste ano, 49.786 novos negócios foram formalizados no estado — crescimento de 24,47% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), divulgados nesta sexta-feira (13).
Mais do que um número, o dado revela uma tendência: há uma movimentação significativa de trabalhadores e pequenos investidores apostando no empreendedorismo como saída diante das incertezas do mercado formal e do custo de vida elevado.
A marca é também histórica: em comparação com os cinco primeiros meses de 2019, o salto é de 142%. À época, foram pouco mais de 20 mil empresas registradas.
Regiões que tradicionalmente aparecem em segundo plano no mapa econômico do estado agora despontam com força. A Zona da Mata lidera com folga, tendo registrado um crescimento de 92,55% na abertura de empresas. O Jequitinhonha/Mucuri (38,11%) e a região Central (26,57%) também apresentaram desempenho acima da média estadual.
Na prática, o movimento indica uma interiorização da atividade econômica, com municípios fora dos grandes centros cada vez mais atraentes para pequenos empreendedores — seja pelo custo mais acessível ou pela demanda reprimida por serviços e comércio local.
Setor de serviços é o motor
Entre os segmentos, o setor de serviços foi o que mais se expandiu: crescimento de 27,63% até maio. O comércio vem logo atrás (16,95%), enquanto a indústria cresceu em ritmo mais tímido (12,87%). Isoladamente, maio foi um mês de retração para o setor industrial (-8,29%), o que acende um alerta para a recuperação desigual entre os ramos produtivos.
A capital Belo Horizonte segue como vitrine: foram 13.524 novas empresas abertas até maio, crescimento de 26,2% sobre 2024. Cidades como Uberlândia, Contagem, Juiz de Fora e Montes Claros completam a lista das maiores praças de empreendedorismo no estado.
A leitura dos dados não se resume a indicadores econômicos. Há uma transformação cultural em curso: milhares de mineiros têm visto no próprio negócio não só uma fonte de renda, mas também uma possibilidade de autonomia, reinvenção profissional e construção de novos vínculos com seus territórios.




































