Depois de duas semanas em meio a escombros e operações que chegaram a durar 50 horas, os profissionais brasileiros enviados à Venezuela para auxiliar as vítimas do terremoto retornaram ao país. As equipes desembarcaram em Brasília na noite dessa sexta-feira (10/7).
A missão humanitária terminou com 14 sobreviventes resgatados e a participação dos brasileiros em 90 ações de busca e salvamento. Os trabalhos foram realizados em conjunto com equipes de outras nacionalidades, em uma força-tarefa coordenada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Os profissionais ficaram instalados em Caraballeda, uma das localidades afetadas pelos tremores. A destruição provocada pelo terremoto fez com que os pedidos de ajuda chegassem constantemente às equipes de emergência.
Encontrar possíveis sobreviventes exigiu operações longas e complexas. De acordo com o diretor do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), Armin Braun, os trabalhos podiam levar de três a 50 horas.
Em determinadas ocorrências, máquinas e cães farejadores foram utilizados para auxiliar nas buscas. Os socorristas chegaram a atravessar quatro ou cinco lajes para alcançar pontos onde havia possibilidade de encontrar vítimas.
A resposta brasileira à tragédia também envolveu atendimento médico. Um hospital de campanha, formado por 99 militares da área da saúde, foi montado para receber até 200 pacientes por dia.
A estrutura oferecia suporte para cirurgias, atendimento avançado de traumas e cuidados intensivos. Ao longo de dez dias, foram contabilizados mais de 1,2 mil procedimentos, entre consultas, cirurgias e exames laboratoriais.
Além do trabalho de resgate e da assistência médica, especialistas brasileiros avaliaram construções atingidas pelo terremoto. As análises ajudaram a identificar riscos estruturais e deram suporte às decisões tomadas pelas autoridades locais.
Para atender à população afetada, o Brasil enviou 60 toneladas de suprimentos, equipamentos e materiais médicos, além de 100 purificadores de água. Outras 150 toneladas de alimentos e itens de saúde e higiene também fizeram parte da ajuda humanitária.
A missão reuniu integrantes da Defesa Civil, dos Corpos de Bombeiros e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Terremotos deixaram mais de 4 mil mortos
O número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela no fim de junho chegou a 4.118. O balanço foi divulgado nessa sexta-feira (10/7) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
As autoridades contabilizam ainda 16.740 feridos e 17.907 pessoas desabrigadas.
Não há, até o momento, um levantamento oficial sobre desaparecidos. Estimativas de organizações da sociedade civil apontam que cerca de 30 mil pessoas ainda não foram localizadas.


































