Nessa sexta-feira (05), o Programa Vozes da Comunidade, apresentado pelo jornalista Toni Duarte, recebeu a secretária de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal, Sandra Holanda. Na ocasião, a secretária respondeu a perguntas de jornalistas de diferentes regiões do DF e pôde falar abertamente sobre a pauta da mobilidade — modal que faz parte da rotina dos brasilienses.
Com apenas um mês à frente da Secretaria de Transporte e Mobilidade (SEMob), Sandra Holanda chegou ao programa com discurso firme e agenda definida. Mas foi em um momento de aparente simplicidade que a gestora entregou, talvez, o núcleo político de toda a sua gestão.
“A mobilidade urbana é um direito. O transporte é um direito constitucional que leva as pessoas aos outros direitos constitucionais. Através do transporte você acessa a saúde, o lazer, a educação, o trabalho. “
Dita com a naturalidade de quem sabe o que diz, a afirmação revela o fio condutor de uma gestão ainda em seu primeiro mês, mas já com direção definida. Para Sandra Holanda, a mobilidade não é só caminho é acesso.
Auditoria e freio nas revisões tarifárias
O primeiro ato concreto da gestão Sandra Holanda foi a publicação de uma portaria que suspende as revisões tarifárias das cinco bacias de transporte público do DF. A medida abre caminho para uma auditoria que vai rastrear os contratos desde sua origem, em 2013.
“Ao chegar, percebi um histórico de revisões tarifárias excessivo, o que me trouxe algumas preocupações”, afirmou a secretária. “Vamos contratar uma instituição idônea para realizar essa auditoria externa. Queremos clareza sobre a composição da tarifa e sobre o equilíbrio econômico-financeiro desses contratos. Isso é bom para o governo, para a sociedade, para os usuários e para as próprias concessionárias.”
A suspensão temporária das revisões é vista pela secretária como pré-condição para qualquer negociação futura. Sem entender o que foi pactuado — e como foi aplicado — ao longo de mais de uma década, não há como avançar com segurança, defende ela.
Frota elétrica: primeiros 90 ônibus e meta de renovação contínua
No primeiro dia de trabalho da secretária, o DF recebeu a entrega de 90 ônibus elétricos adquiridos pela empresa Piracicabana, operadora da Bacia 1. Os veículos estão em fase de emplacamento e instalação de equipamentos de bordo antes de entrarem em operação.
“Esses ônibus são mais silenciosos, mais acessíveis — têm piso baixo —, e representam a tendência de renovação das próximas frotas”, disse a gestora.
Questionada sobre a meta de eletrificação total da frota, Sandra Holanda apontou para uma estratégia de transição gradual e planejada. “Nossa frota tem limite de sete anos de operação — é a mais jovem do Brasil. À medida que formos renovando os veículos, já planejamos essa renovação atrelada à transição energética, à troca dos combustíveis fósseis pela energia elétrica.”
Sobre a preocupação com o tempo de recarga dos elétricos — que pode levar até três horas, contra poucos minutos para o abastecimento a diesel —, a secretária foi direta: “O nosso cliente não pode ser penalizado de forma nenhuma. A gente precisa compensar essa diferença de tempo internamente, através da nossa estratégia operacional.”
Pesquisa de satisfação inédita
Em outro gesto que marca a postura da gestão, Sandra Holanda anunciou que o DF realizará, pela primeira vez em 13 anos de contrato de concessão, uma pesquisa de satisfação com os usuários do transporte público. O levantamento, conduzido em parceria com o instituto de pesquisa do DF, começa na segunda-feira seguinte à entrevista, a bordo dos ônibus em todas as bacias e horários.
“Vamos ouvir a voz do cliente, sentir a percepção das pessoas. A gente só melhora o que compreende”, disse a secretária.
Paralelamente, a SEMob trabalha na aquisição de uma nova central de supervisão operacional, com sistema de georreferenciamento e bilhetagem mais refinado — incluindo o controle de embarques de idosos, que atualmente não passam pelas catracas.
Mudança de sede e economia nos cofres públicos
Em resposta a uma pergunta sobre a decisão da governadora Celina Leão de transferir parte do governo para o Centro Administrativo do DF, em Taguatinga, Sandra Holanda não titubeou.
“Sem pensar duas vezes. A SEMOB já está à disposição. Já comuniquei e passei todos os dados para a Secretaria de Obras. Se temos um centro administrativo esperando ocupação há 12 anos, como não ocupar o que é nosso e economizar para os cofres do governo?”
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