O Distrito Federal enfrenta uma transformação silenciosa e profunda, com cada vez mais moradores chegando aos 80 anos ou mais, grupo conhecido como quarta idade. Hospitais e serviços de saúde precisaram se reorganizar para oferecer atenção próxima, internações mais longas e acompanhamento contínuo.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que o Brasil já possui cerca de 4,6 milhões de pessoas nessa faixa etária. Entre os idosos, a maior concentração ainda está entre 65 e 69 anos, mas o crescimento mais rápido ocorre entre os mais velhos. Ao mesmo tempo, a população jovem diminui, com crianças e adolescentes de 0 a 14 anos representando cerca de 19,7% do total. A expectativa de vida média no país é de 77 anos, sendo maior entre mulheres, 80,5 anos, e menor entre homens, 73,6 anos.
Nos hospitais administrados pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, como o Hospital Cidade do Sol, a presença crescente de pacientes da quarta idade já é evidente. Muitos demandam cuidados especiais e monitoramento diário, exigindo ajustes na rotina hospitalar e integração das equipes médicas. Álvaro Modesto, chefe de Núcleo Médico do HSol, afirma que cada vez mais pacientes com mais de 80 anos precisam de apoio para atividades básicas, o que transforma a forma de cuidar.
O impacto não se limita ao ambiente hospitalar, já que as famílias precisam se adaptar a pais e avós que vivem mais tempo, oferecendo supervisão e atenção constantes. O acompanhamento multiprofissional, envolvendo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas, se mostra essencial para preservar autonomia, mobilidade e qualidade de vida.
Pacientes como Gilberto Gomes Barbosa, aposentado com quase 70 anos, exemplificam essa realidade. Internado há três meses no HSol por problemas cardíacos, ele mantém independência, recebe visitas frequentes da família e dedica parte do tempo à escrita e à música. Autor de cinco livros, trabalha atualmente em uma nova obra inspirada na experiência no hospital. Gilberto afirma que, mesmo durante a internação, consegue manter rotina ativa e se sentir útil, enquanto a família acompanha com tranquilidade.
O envelhecimento populacional é um fenômeno global, e estimativas indicam que, até 2050, cerca de 2 bilhões de pessoas terão 60 anos ou mais. No Distrito Federal, o desafio é garantir que a longevidade seja acompanhada de autonomia, atenção especializada e qualidade de vida, criando um modelo de cuidado capaz de atender cada vez melhor a população da quarta idade.








































