Para muitas mulheres que passam pela quimioterapia, a queda de cabelo representa um dos momentos mais sensíveis do tratamento contra o câncer. No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), um trabalho voluntário tem ajudado pacientes a enfrentar essa fase com mais confiança: a distribuição gratuita de perucas realizada pela Rede Feminina de Combate ao Câncer.
Foi nesse espaço que a aposentada Lúcia Saboia, de 67 anos, buscou apoio nesta terça-feira (10). Diagnosticada com câncer de mama em maio do ano passado, ela começou recentemente o tratamento quimioterápico e percebeu rapidamente a mudança provocada pela queda dos fios. “Eu achava que ainda levaria um tempo para o cabelo cair, mas aconteceu muito rápido e acabei sendo pega de surpresa”, contou.
Ao chegar ao hospital acompanhada pelos filhos, Lúcia decidiu dar um passo importante nesse processo: cortar o que restava dos cabelos e escolher uma peruca. Durante a experiência, ela experimentou modelos de diferentes cores e estilos, transformando um momento difícil em algo mais leve. “Depois de todo o cuidado que recebi aqui, já me sinto mais tranquila. Isso ajuda muito a enfrentar essa etapa”, afirmou. “Agora é seguir com calma e viver cada dia.”
A ação é conduzida pela Rede Feminina de Combate ao Câncer, que, há cerca de duas décadas, atua dentro do Hospital de Base oferecendo apoio às pacientes em tratamento oncológico. Somente no último ano, cerca de 250 perucas foram entregues a mulheres atendidas na unidade.
De acordo com a coordenadora da iniciativa, Larissa Bezerra, o serviço vai além da entrega das peças. “A queda de cabelo costuma mexer muito com a autoestima. Quando a paciente consegue se olhar no espelho e se sentir bem novamente, isso tem um impacto muito positivo”, explicou.
As perucas disponíveis são confeccionadas ou mantidas a partir de doações recebidas ao longo do ano. O espaço funciona no ambulatório do hospital, onde as pacientes podem experimentar diferentes modelos antes de escolher. “Estamos sempre recebendo doações e atendendo quem precisa. A pessoa chega, prova os modelos e escolhe aquele com que se sente mais confortável”, disse a coordenadora.
Entre as mulheres atendidas está Érica Bonfim Silva, de 35 anos. Diagnosticada com leucemia no fim do ano passado, ela decidiu cortar o cabelo antes que a queda provocada pela quimioterapia se tornasse mais intensa. “Quando me vi sem cabelo pela primeira vez, foi um momento muito forte”, lembrou.
Mãe de uma criança de três anos, ela decidiu usar peruca para manter a rotina com o filho de forma mais tranquila. “Entendi que isso faz parte do tratamento e que é um caminho necessário para a recuperação”, afirmou.
Cada paciente chega à oficina com uma história particular. No caso de Sirley Freitas de Almeida, a motivação foi participar de um evento especial da família. Após passar por uma mastectomia para tratar um câncer de mama e iniciar a quimioterapia, ela procurou o espaço para escolher uma peruca para o casamento da sobrinha. “No dia a dia, não me incomoda estar sem cabelo, mas, em uma ocasião especial, prefiro usar. Quero aproveitar a festa normalmente”, disse.
A voluntária Mylena Batista acompanha as pacientes durante a escolha das perucas e destaca que o momento costuma ser marcado por emoção. “Muitas mulheres chegam bastante fragilizadas e acabam se emocionando quando se veem novamente com cabelo. Nosso trabalho é ouvir, acolher e ajudá-las a passar por esse momento com mais segurança”, explicou.
Disponíveis em versões sintéticas e naturais, as perucas ajudam a devolver parte da autoestima durante o tratamento. Para muitas pacientes, o gesto simboliza não apenas uma mudança na aparência, mas também uma forma de cuidado e apoio em meio aos desafios da doença.





































