O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) registrou 12.888 atendimentos de emergência pediátrica apenas no primeiro semestre de 2025, número expressivo impulsionado, sobretudo, pelo aumento de doenças respiratórias típicas do período sazonal. Diante da alta demanda e da complexidade dos casos, a unidade intensificou a qualificação de seus profissionais para o atendimento de situações críticas envolvendo crianças.
Na última quinta-feira (22), médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem que atuam no pronto-socorro infantil participaram de um treinamento especializado no Centro de Simulação Realística do HRSM. A capacitação teve como foco dois procedimentos decisivos em cenários de emergência: a intubação orotraqueal, indicada quando a criança não consegue manter a respiração de forma adequada, e o atendimento à parada cardiorrespiratória. O hospital é administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).
De acordo com o chefe do Serviço de Pediatria, Fernando Martins, a iniciativa busca manter as equipes alinhadas às práticas mais atuais da medicina e reduzir riscos durante atendimentos de alta complexidade. “A medicina evolui rapidamente, e a atualização constante dos protocolos é fundamental para garantir um cuidado mais seguro, organizado e eficiente, tanto para médicos quanto para a equipe de enfermagem”, destacou.
A abertura do treinamento foi conduzida pela pediatra Thais Mendonça, que abordou o manejo das vias aéreas em pacientes pediátricos. Segundo ela, o tema ganha ainda mais relevância entre os meses de março e agosto, período de maior circulação de vírus respiratórios. “O pronto-socorro pediátrico recebe muitos casos graves nessa época. Algumas crianças evoluem rapidamente para insuficiência respiratória e necessitam de ventilação invasiva, principalmente os bebês menores de um ano, que são mais vulneráveis”, explicou.
Na sequência, a pediatra Maurisa Rosa tratou do atendimento à parada cardiorrespiratória e ressaltou a importância da resposta rápida das equipes. “O tempo sem circulação adequada interfere diretamente nas chances de sobrevivência. Quanto mais rápido o atendimento, menores são os riscos de danos neurológicos e outras complicações graves. A atuação ágil da equipe pode mudar completamente o prognóstico do paciente”, afirmou.
Após as orientações teóricas, os profissionais participaram de simulações práticas que reproduziram situações comuns da rotina do pronto-socorro pediátrico. Para a pediatra Blenda Cunha, que acompanhou a atividade, o treinamento reflete fielmente os desafios enfrentados diariamente pela unidade. “Atendemos crianças de Brasília e do Entorno Sul, muitas em estado grave. Casos que exigem intubação ou envolvem parada cardiorrespiratória são frequentes, especialmente nos períodos de maior demanda”, relatou.
Além da capacitação das equipes, os profissionais reforçam que a prevenção continua sendo um fator essencial para reduzir a gravidade dos quadros clínicos. Thais Mendonça orienta que as famílias adotem cuidados simples durante os meses de maior circulação de vírus respiratórios. “Evitar contato com pessoas doentes, manter a higiene das mãos e ter atenção especial com recém-nascidos que ainda não completaram o esquema vacinal são medidas fundamentais para prevenir complicações e reduzir internações”, alertou.






































