Após enfrentar uma das mais graves crises de dengue de sua história, o Distrito Federal reforçou o enfrentamento ao Aedes aegypti com um conjunto de ações que aposta em inovação científica e vigilância ativa. Nas últimas semanas, a Secretaria de Saúde promoveu a liberação de 13 milhões de mosquitos com a bactéria Wolbachia, tecnologia que reduz a capacidade de transmissão de vírus como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
Conhecidos como Wolbitos, os insetos fazem parte de um método já adotado em outros estados brasileiros. Ao se reproduzirem, eles transmitem a bactéria às próximas gerações, enfraquecendo a disseminação dos vírus e diminuindo, ao longo do tempo, a população de mosquitos capazes de causar doenças.
A iniciativa ganhou prioridade após o cenário enfrentado em 2024, quando o DF registrou 283.841 casos de dengue e mais de 400 mortes, um salto superior a 800% em comparação com o ano anterior. Embora os dados de 2025 indiquem redução nos registros, a Secretaria de Saúde avalia que a manutenção das medidas é fundamental para evitar novos surtos.
O trabalho de campo também foi intensificado. Equipes de vigilância percorreram mais de 1,8 milhão de imóveis, orientando moradores e identificando possíveis focos do mosquito. Ao todo, 362 servidores atuaram diretamente nessas visitas, consideradas estratégicas para conter a proliferação do vetor.
A operação envolvendo os mosquitos com Wolbachia exigiu uma logística extensa. Foram 14 semanas dedicadas à produção dos insetos e outras 13 semanas de liberação em diferentes regiões administrativas, com 68 rotas semanais, cerca de 14 mil pontos de soltura e mais de 800 deslocamentos para garantir a cobertura do território.
Outras medidas complementares também foram adotadas. Em 2025, quase 60 ações de Borrifação Residual Intradomiciliar foram realizadas, criando uma barreira inseticida nas paredes internas das residências, com eficácia estimada de até três meses. Além disso, mais de 3,2 mil Estações Disseminadoras de Larvicidas e aproximadamente 3,8 mil ovitrampas foram instaladas para interromper o ciclo de reprodução do mosquito.
O uso de drones passou a integrar o monitoramento das áreas mais críticas. Os equipamentos sobrevoaram 22 regiões administrativas e mapearam cerca de 3 mil possíveis criadouros em uma área superior a 2,1 mil hectares. A partir dessas informações, as equipes direcionam as ações de controle de forma mais precisa.
Com o reforço das estratégias e o uso de tecnologia, o governo do Distrito Federal busca reduzir o impacto das arboviroses e evitar a repetição do quadro registrado no ano passado.





































