O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) passou a ocupar posição de referência nacional no debate sobre proteção de dados na saúde pública ao apresentar sua experiência durante o lançamento da Rede de Encarregados de Dados do SUS. A iniciativa foi anunciada na 3ª Jornada de Proteção de Dados Pessoais no SUS e marca um novo estágio na organização da governança de informações sensíveis dentro do sistema público de saúde.
Representando o hospital, a gerente de Compliance e Riscos, Cinthia Tufaile, levou ao encontro um modelo que integra a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) à prática assistencial. No HCB, a adequação à legislação deixou de ser tratada como obrigação administrativa e passou a ser incorporada à lógica do cuidado.
“A proteção de dados não pode ser vista como um processo paralelo. Ela precisa estar integrada à assistência. Quando falamos em oferecer o melhor cuidado, isso também passa pela segurança das informações que acompanham cada criança”, destacou.
A realidade do hospital impõe desafios específicos. Muitos pacientes permanecem em acompanhamento por longos períodos, exigindo gestão contínua de dados clínicos altamente sensíveis ao longo de toda a trajetória de tratamento. Além disso, o ambiente envolve familiares, equipes multidisciplinares, residentes e pesquisadores, o que amplia a circulação de informações e exige controles mais robustos.
Diante desse contexto, o HCB estruturou uma política interna voltada à consolidação de uma cultura organizacional de proteção de dados. O movimento mobilizou áreas assistenciais, administrativas e de pesquisa e ganhou escala a partir do engajamento direto da alta gestão.
Segundo Tufaile, esse apoio foi decisivo para que a proteção de dados deixasse de ser apenas um requisito normativo e se tornasse parte efetiva da governança institucional. “A transformação acontece quando a proteção de dados deixa de ser apenas uma exigência e passa a ser compreendida como valor institucional”, afirmou.
A criação da Rede de Encarregados de Dados do SUS surge justamente para conectar experiências como essa. O espaço reúne hospitais, fundações, órgãos reguladores e gestores das três esferas de governo com o objetivo de estruturar respostas conjuntas diante de um cenário marcado pela digitalização crescente da saúde.
De acordo com a encarregada de dados do Ministério da Saúde, Adriana Macedo Marques, a articulação permitirá construir soluções compartilhadas para desafios comuns, respeitando as diferentes realidades do sistema.
Ao integrar essa rede, o HCB contribui para ampliar o entendimento de cuidado dentro do SUS. A proteção de dados passa a ser tratada como dimensão indissociável da segurança do paciente, não apenas como obrigação legal, mas como componente estrutural da assistência.
Mais do que um ajuste regulatório, o movimento indica uma inflexão no modo como o sistema público encara a saúde digital. No novo cenário, a gestão responsável da informação deixa de ser suporte e passa a fazer parte do próprio ato de cuidar.










































